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Uso político da SEGUP mata jovem inocente em São Luís


Data de Publicação: 25 de março de 2006
 
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PM SEM CONTROLE

A utilização política da Secretaria de Segurança Pública do estado fez sua primeira vítima inocente. A morte do padeiro José Ricardo Pinheiro não foi obra do caso nem um erro dos policiais. Ela reflete o novo estado de ânimo que se instalou entre alguns policiais depois que o ex-secretário de Segurança, Raimundo Cutrim, foi substituído para dar lugar ao procurador Raimundo Marques, um homem de gabinete que delega suas atribuições a delegados que nem sempre têm o preparo ou o equilíbrio para agir em nome do Estado.

A mexida feita por José Reinaldo na cúpula do sistema de segurança só tinha que dar esse tipo de resultado. Com a indicação do truculento coronel Pinheiro Filho para o comando da Polícia Militar, a minoria que prefere bater e atirar para depois ouvir, acredita que ganhou um aliado, embora isso não esteja claramente posto à coorporação.

Veja Agora cantou a pedra dias atrás quando disse que os métodos aplicados na Secretaria de Segurança haviam mudado radicalmente com a saída de Cutrim. Na ocasião lembramos que, sob o comando do secretário de Segurança e sob as ordens do coronel Mello, a PM havia reduzido a níveis baixíssimos a violência na capital. E mais; lembramos que a própria PM, sem disparar um tiro, capturou 3 quadrilhas de fugitivos de Pedrinhas que vinham aterrorizando a cidade.

Novos métodos

Com a mudança na cúpula, setores da Polícia Militar se sentiram estimulados a voltar à velha prática de primeiro atirar, para só depois perguntar. O caso do padeiro José Ricardo é emblemático. Segundo a versão da PM, os policiais teriam sido chamados para, supostamente, prender os traficantes que mataram o cabo Neemias. Talvez motivados pelo corporativismo e pelo desejo de vingança contra os assassinos, os policiais foram ao encontro dos supostos criminosos, que estariam homiziados em um casebre na Vila Maranhão, dispostos a tudo.

Segundo os autores da execução do padeiro, ele teria resistido à prisão e trocado tiros com os PM's. Segundo os familiares da vítima e populares que testemunharam sua prisão, o padeiro foi algemado, torturado, humilhado e executado friamente com um único tiro na cabeça, por trás.

Todo rigor

O Ministério Público anunciou ontem mesmo que vai acompanhar as investigações sobre o assassinato do padeiro José Ricardo. A sociedade exige que tal apuração seja rápida, isenta e transparente e rigorosa, e não um mero jogo de cena como ocorre em certos casos quando os envolvidos são agentes, sob pena de levar ao descrédito uma instituição que vem sendo acusada de beneficiar e proteger figurões da nossa sociedade.

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