VILA MARANHÃO
Uma nova versão sobre a morte do padeiro João Ricardo Pinheiro, 26 anos, surgiu a partir das informações de uma testemunha. De acordo com o relato do aposentado Manoel Victor Madeira, de 76 anos, também residente na localidade Manchinha, na Vila Maranhão, são reais a probabilidade da polícia de José Reinaldo Tavares, Raimundo Marques e coronel Pinheiro Filho, ter executado um homem inocente.
A princípio, a informação repassada foi que os policiais foram recebidos à bala ao checar a informação que os irmãos Roberto e Adalberto Maranhão, além de Fernando "Pernambucano", acusados de executar o cabo Nemias Vanderley, durante um confronto na Vila São Benedito, na Vila Embratel, no início desta semana. Na troca de tiros, a vítima foi alvejada, chegou a ser socorrida, mas foi a óbito em seguida. Para dar veracidade na versão apresentada pela PM, um revólver calibre 38 foi apreendido e apresentado na Delegacia da Vila Embratel.
O fato ocorreu no final da manhã de quinta-feira, mas após a descoberta dessa testemunha, e as informações da mãe da vítima, Maria Pinheiro, a história tomou um rumo completamente diferente do outrora. "A presença dos policiais me chamou atenção, então me aproximei quando ele (vítima) disse assim: olha seu Victor me conhece, perguntem a ele, vocês estão me confundido. Quando o vi, ele estava todo sujo de carvão, nu da cintura para cima, não estava apanhando nem algemado. Ainda perguntei por que eles(policiais) estavam fazendo isso com o rapaz, no entanto, o grupo saiu o levando, 600 metros depois só ouviu os disparos", disse o aposentado.
Com precisão, ele ainda desmentiu a troca de tiros e a informação que a vítima estaria armada. As marcas no corpo, segundo a mãe de João Ricardo, Maria Pinheiro, ratifica as informações dadas pelo vizinho e, acima de tudo, a suspeita de uma execução sumária. "Como meu filho pode ter trocado tiros com a polícia, e ser levado para o hospital com a munheca e clavícula quebradas, com a costa cheia de espinho, hematomas pelo corpo, e uma bala na cabeça deflagrada numa posição de cima para baixo? Ninguém, por mais burro que seja, acreditaria numa versão como essa", declarou revoltada.
Apesar da suspeita da vítima ter ligação com o grupo de traficantes responsável pela morte do militar, em consulta junta do site do Tribunal de Justiça do Estado, o mesmo não possui qualquer registro processual. Ainda na operação desencadeada anteontem, Edson Carneiro Araújo e Djalma Jesus Correia Martins também foram detidos e apresentados na distrital da área.
Por precaução, tendo em vista o revólver 38 apresentado, a delegado Regina de França determinou que fosse feito nas mãos da vítima exame de recenticidade de disparo, cujo resultado deverá sair em 15 dias.
Ministério Público
Por determinação do procurador-geral de justiça, Raimundo Nonato de Carvalho Filho, a Promotoria de Investigação Criminal de São Luís irá apurar se houve excesso da Polícia Militar na operação que resultou na morte de José Ricardo Pinheiro, 25 anos. A morte da vítima, que foi sepultada ontem, gerou muito protesto entre familiares e vizinhos, os quais acusam os militares de tortura e execução.
Paralelo a isso, o Comando da PM já determinou a abertura do Inquérito Policial Militar para apurar o fato. Segundo o comandante do CPM, coronel Francisco Melo, somente após a conclusão do procedimento administrativo a corporação poderá se pronunciar a respeito do caso. "Se for comprovado excesso não tenham dúvida que os responsáveis irão ser punidos exemplarmente", garantiu o oficial.