O governador José Reinaldo Tavares estruturou seu governo sobre quatro pilares: a mentira, a corrupção, a subserviência às vontades de sua ex(?)-mulher Alexandra, e a traição.
O primeiro pilar, a mentira, foi usado para, através da compra da ética e da dignidade de alguns jornalista e jornais, apresentar ao Maranhão um quadro deformado de nossa realidade. Subserviente e corrupta, essa parte da imprensa cumpriu seu papel com uma capacidade assustadoramente inesperada. Tudo foi feito para que ele, o governador, se transformasse, num curto espaço de tempo, de um administrador inepto e despreparado, num grande administrador público, um agente de um falso desenvolvimento, ainda que isso se desse à custa de milhões de reais. Jornalistas e empresários do setor embolsaram gordas quantias, com as quais compraram frotas de carros, fazendas, apartamentos luxuosos e seus passaportes para a alta sociedade.
Nada mudou em conquistas sociais no Maranhão nos últimos 4 anos. Os números do IPEA mostram que o Maranhão regrediu de 2002 para hoje. A falta de emprego continua assolando os maranhenses: no último mês de fevereiro, a taxa de desemprego voltou a crescer 0,15 por cento. Ainda assim, de forma criminosa, a propaganda oficial diz que o Maranhão vive no pleno emprego. Propaganda, diga-se de passagem, paga à custa da fome de muitos que a própria publicidade diz que foram resgatados da pobreza.
O segundo pilar da atual administração foi assentado de forma a garantir a impunidade do governador José Reinaldo. Pagos a peso de ouro, deputados garantiram ao governador que ele estaria livre de um processo de impeachment na Assembléia Legislativa. A liberação de recursos de emendas parlamentares foi a forma oficial para a compra dos votos dos deputados. Mas houve outras, bem mais cínicas e mais subterrâneas: convênios criminosos, dispensas de licitação para clínicas, hospitais e instituições fantasmas.
O terceiro pilar dessa poderosa máquina de administrar o patrimônio público como se privado fosse foi a total subserviência do governador à mulher Alexandra Miguel Tavares. A par dos escândalos divulgados desde os primórdios da posse de José Reinaldo, pelo Jornal Pequeno, até a recente montagem da farsa da separação do casal, José Reinaldo sempre deixou claro que era ela quem governava de fato o Maranhão. Todos os atos, legítimos ou não, só aconteciam no Governo do Estado com a aquiescência dela, Alexandra.
Com o poder que detinha e a influência que exerce sobre seu consorte, Alexandra nomeou e demitiu gente poderosa, impediu que os filhos do governador tivessem acesso à cúpula da administração, comandou a máquina com pulso firme e esteve metida em muitas das situações denunciadas como práticas corruptas na administração do seu marido, como a compra superfaturada de livros e as estradas fantasmas.
Mas o governador, para ser fiel à sua mais legítima identidade, usou com freqüência o quarto pilar sobre o qual se assenta seu governo: a traição.
É de traição em traição que ele chega ao fim de 4 anos de uma desastrosa administração de forma melancólica e, seguramente, com o título de governante mais incapaz que já passou pelo Governo do Maranhão. Começou sua administração traindo Sarney, que o criou politicamente e o alavancou socialmente. Termina seu governo traindo Jackson Lago, que, apesar de insistir em manter seu nome atrelado ao do governo mais corrupto da história do Maranhão, o faz premido pelas circunstâncias, apenas para manter o acesso aos cofres do governo.
É no partido desse governador que o homem que presidiu até ontem a mais alta corte judicial do país, ingressa hoje, como se estivesse entrando no próprio Éden.