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Carta do leitor


Data de Publicação: 30 de março de 2006
 
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Senhor Editor

Quero fazer uma denúncia. Sou funcionária pública há mais de 20 anos, lotada na Secretaria de Educação, que hoje passa pelos piores momentos. Nunca vi, em todos esses anos, tanto descaso com o serviço publico como agora. Parecem até um bando de urubus garantindo a comida para vida inteira. É tanta corrupção, tanta propina! Aliás, por falar em propina, há pessoas que só trabalham se ganharem propina. É esquema com hotéis, com editoras, com construtoras e até com fornecedores de pequeno porte, como de água e café. Essa secretaria é uma verdadeira orgia.

Há alguns meses atrás, estava conversando com uma senhora que mora em um hotel bem em frete a secretaria no São Francisco e ela me garantiu que há dois funcionários que todos os dias só deixam o prédio altas horas da noite, muitas horas depois do expediente terminar. Por curiosidade, um dia ela pegou uns binóculos do neto e observou que eles ficam se “agarrando” na sala. Isso passou a ser rotina dela e do neto observarem o que ela chama de “big brother ao vivo”. O casal de jovens só sai das dependências da secretaria por volta de 9h30 todos os dias, depois de muito se amassarem na sala do chefe.

Mas voltando a falar de propina, tem um setor responsável pela compra de materiais que a propina come solta. E tem que ser alta, já que é dividida por três. As três não fazem mais nem questão de esconder que estão por cima da carne seca, já que a chefe é quem compra e negocia tudo com os fornecedores, sem falar no mago das licitações, que tem um salário de servidor público e uma mansão no Alto do Calhau. Até o carro em que ele anda foi produto das suas licitações.

Eu não sei se esse governador e o gerente são cegos ou não querem ver o que acontece aqui. É uma pena um órgão que já foi tão organizado hoje parece mais o mercado do João Paulo.

Esse é o desabafo de uma servidora que há mais de 20 anos vive nessa secretaria, e que já passou por vários prédios e chefias, mas que hoje não agüenta mais tanta corrupção e sacanagens dentro do seu ambiente de trabalho.

Peço que me permita assinar com meu pseudônimo, pois se for revelado meu verdadeiro nome eu serei demitida.

Raimunda Oliveira Coelho

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