RIO - Campeão do mundo? Sim, por clube e seleção. Da América? Idem. Brasileiro? Sim. Italiano? Outro sim. Paulista? Também. Recordes? Tem o maior número de jogos com a camisa do Brasil. Com esse currículo, trata-se de uma unanimidade nacional? Não.
As poucas perguntas e respostas acima resumem a carreira de Cafu, lateral-direito titular absoluto da seleção desde 1994. Aos 35 anos, o capitão de Parreira caminha para sua quarta Copa do Mundo, mais uma vez bastante criticado. A diferença é que agora Cafu decidiu reagir.
- Sempre me pegam para Cristo. Em 94, eu era muito novo. Depois, em 98, não sabia cruzar. Em 2002, eu não sabia marcar. Agora, sou velho. Quero saber o que vão dizer em 2010 - disse o lateral ainda em 7 de fevereiro.
Uma semana depois desta entrevista, Cafu revelou que passaria por três operações: artroscopia para correção de lesão meniscal no joelho esquerdo, correção de um desvio do septo nasal e retirada das amígdalas. Até o momento, não voltou a atuar pelo Milan.
As seguidas contusões nesta temporada, a falta de ritmo de jogo e o desenvolvimento de Cicinho no Real Madrid fizeram Cafu ser ainda mais contestado na seleção. Não são poucos os críticos que defendem sua saída do time, como o ex-lateral Carlos Alberto Torres.
- Na Europa, ele joga como ala, da intermediária para o ataque. Na seleção, o esquema exige que o lateral jogue de uma linha de fundo à outra, tendo que marcar. Cafu tem boa força de ataque, mas o Cicinho se encaixa melhor no esquema do Brasil - analisou.
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A confiança de Parreira e da comissão técnica, Cafu nunca perdeu. Após as cirurgias, Runco afirmou que o joelho do atleta "parece o de um jovem" e que o problema no menisco não irá atrapalhá-lo mais até o Mundia. O treinador também está otimista:
- Quem conhece o Cafu, sabe da saúde e da determinação que ele possui. Por isso, aposto que ele estará presente na estréia do Brasil na Copa, contra a Croácia - afirmou Parreira.
Na Alemanha, o lateral poderá atingir mais duas marcas: ser o primeiro jogador a levantar a taça de campeão em dois Mundiais e se tornar o brasileiro com maior número de partidas em Copas (tem 15, três a menos que Taffarel e Dunga).