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Governador pode estar empregando cabos eleitorais em cooperativas


Data de Publicação: 31 de março de 2006
 
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CABO DE EMPREGOS



A denúncia publicada na edição de ontem, dando conta de que o ex-presidente da UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas) e mentor político da nova direção da instituição, Raimundo Penha, recebe R$ 3.844,12 da Prefeitura de São Luís, revela uma prática muito mais comum em todo o Estado do que possa parecer a primeira vista.


Penha está empregado na Multicooper Ma – Cooperativa de Trabalho, que presta serviços para a Secretaria Municipal de Transportes Urbanos (SEMTUR), de Canindé Barros, na administração dos Terminais de Integração de Transportes Coletivos de toda a capital.

Apesar do polpudo salário, garante Marcelo Matos, estudante secundarista, também ex-dirigente da UMES e hoje representante da CONESMA (Conselho dos Estudantes Secundaristas do Maranhão), Raimundo Ivanir Abreu Penha nunca bateu um ponto em quaisquer dos Terminais.

A mesma situação é vivida por Carlos Vitor Fontenelle e Ana Paula Ribeiro. Os dois também recebem salários da SEMTUR, através da Multicooper MA. Carlos Vitor percebe R$ 1.200,00 como assessor e Ana Paula R$ 1.400,00 como auxiliar-administrativo. Nenhum dos dois trabalha efetivamente.

“Além disso, Vitor recebe, ainda, mais R$ 1,9 mil todo mês na conta corrente”, acrescenta Marcelo Matos. Os depósitos são efetuados na conta 36281-6, do Banco Bradesco.

Os dois são cabos eleitorais dos mais ativos de Tadeu Palácio (PDT) e de José Reinaldo (PSB) e estavam em Brasília, com a comitiva do governador, fantasiados de trabalhadores rurais para fazer parecer que a campanha para contrair o empréstimo de U$ 30 milhões do Banco Mundial era eminentemente popular.

Além disso, são eles que, junto com Raimundo Penha e Wellington Gouveia, atual presidente da UMES, organizam todo o movimento estudantil na capital para garantir densidade política ao prefeito.

Novos casos

Além dos casos envolvendo a Prefeitura Municipal, o Governo do Estado também pode estar utilizando o mesmo expediente como forma de garantir salários para cabos eleitorais de José Reinaldo.

Depois que assumiu o governo, o atual chefe do Executivo tem usado e abusado da terceirização de serviços do Estado, como, por exemplo, no caso da Centervita – que administra hospitais em todo o Maranhão -, e do Instituto de Cidadania e Natureza (ICN) – responsável pelo Hospital do Ipem, além das várias micro-cooperativas contratadas para todo tipo de serviço.

As duas maiores – Centervita e ICN – estão rodeadas de denúncias de esquemas envolvendo os cooperados e José Reinaldo, para beneficiamento da campanha eleitoral deste ano. O Instituto Cidadania e Natureza, inclusive, está sendo investigado pelo Ministério Público, que, abriu procedimento investigatório para apurar as irregularidades.

A justificativa, em todos os casos, é a diminuição de custos para o Estado. No entanto, o caos em que se encontra o sistema de Saúde, prova que a tática de José Reinaldo de contratar através de cooperativas pode ser apenas mais uma forma de saquear o erário estadual e garantir seus aliados recebendo salários pelos serviços que lhe prestam como fiéis cabos eleitorais.

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