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Depoimentos contraditórios a juizes diferentes, mas na presença da mesma promotora, põe sob suspeita ação da justiça


Data de Publicação: 31 de março de 2006
 
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FORÇAS OCULTAS AGEM NO CASO DO PADRE FÉLIX

"Diante das inúmeras contradições, não temos dúvida que o flagrante foi preparado". Caiu como uma bomba a declaração da promotora Fátima Travassos, na manhã de ontem, instantes antes da acareação proposta pelo MP entre o padre Félix Barbosa Carreiro, 43 anos, e cinco adolescentes que figuram como vítimas no processo que tramita na 11ª Vara Especializada no Combate a Crimes contra Criança e Adolescente.

A promotora descartou qualquer possibilidade de pedir absolvição do padre, mas evidenciou que não pedirá a condenação com base no crime tipificado, em razão das muitas contradições, devendo aditar a denúncia com base nas novas provas carreadas, e pedindo a condenação por outro crime. O padre Félix foi preso, em flagrante, na madrugada do dia 5 de novembro do ano passado na companhia de adolescentes dentro de uma das suítes do motel Fly, no Cohajap. Desde então muitas idas e vindas já aconteceram no campo do Direito.

Menos de 48h após o flagrante, Félix foi beneficiado com um alvará de soltura expedido pelo juiz Fernando Mendonça. Três dias depois, diante das fartas provas, teve a sua prisão preventiva decretada pelo juiz José Joaquim Figueiredo dos Anjos, que respondia tanto pela 2º Vara Criminal quanto pela especializada em crimes contra criança e adolescente.

Ao término do prazo imposto pela lei, a delegada Ana Karla Silvestre, que presidiu o inquérito, encaminhou o inquérito à Justiça, indiciando-o por crime de exploração sexual (art. 244 "a" do Estatuto da Criança e Adolescente).

Ainda com o padre preso, deu-se início à instrução processual e, como de praxe, ao interrogatório dos acusados, pois além do padre, um outro homem, Edson Filho, estava no motel no dia do flagrante e também teve sua prisão decretada pelo juiz. Em seguida, aconteceram os depoimentos de vários adolescentes, quando todas as declarações prestadas na DPCA foram ratificadas.

Um dos adolescentes, inclusive, chegou a dizer que só na área do bairro do Cohatrac, o padre teria se relacionado com 75 garotos. Entretanto, após a criação da Vara Especializada, a juíza Ângela Salazar assumiu a presidência do processo, e os mesmos adolescentes que já haviam prestados depoimento diante do outro magistrado, voltaram a ser arrolados pela defesa.

Surpreendentemente, uma história bem diferente das duas primeiras versões surgiu na nova fase processual, a ponto de, segundo a delegada Ana Karla, tentarem o descrédito ao trabalho que estava sendo realizado há quase três meses. A questão é: Não é melhor, diante dos atuais acontecimentos, designar um novo magistrado para presidir o feito?

Se analisarmos os fatos friamente, porque tomar como verdade absoluta as declarações prestadas diante da juíza Ângela Salazar e não as que foram prestadas ao juiz José Joaquim? Ora, como popularmente se diz nas varas criminais, "quem pode mais, pode menos; quem mente mais, mente menos". Assim, o que nos faz acreditar cegamente que agora os adolescentes estariam falando a verdade, e tanto na fase policial como no primeiro momento também nos depoimentos à Justiça, estariam mentindo?

Essa inquietação, sem dúvida, emana em centenas de cidadãos que estão acompanhando o desfecho do caso do padre Félix que, após 123 dias preso, foi solto por uma decisão da própria Ângela Salazar, a qual deferiu o pedido por parte da defesa que alegou excesso de prazo para formação da culpa. Com a palavra, o Tribunal de Justiça.

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