A notícia que a verticalização das alianças partidárias havia sido mantida pelo Tribunal Superior Eleitoral - TSE, caiu como uma bomba sobre a maioria dos partidos. Analistas apressados começaram a fazer conjecturas antes mesmo que o quinto voto a favor da manutenção das atuais regras fosse declarado. Quem perde e quem ganha? Essa foi a pergunta mais formulada e cada um tinha uma reposta diferente.
Ninguém se importou realmente em saber qual será o próximo passo nesse intricado jogo de xadrez da sucessão a nível nacional e nos estados. O que o TSE fez foi responder a uma indagação de um partido político se as regras da eleição passada continuavam valendo este ano. Por cinco votos a dois os ministro do TSE decidiram que as regras deveriam ser mantidas em obediência ao preceito constitucional da anualidade para a vigência de determinada mudança eleitoral. Só. Nada além disso.
Ocorre que o Congresso Nacional aprovou recentemente uma Proposta de Emenda Constitucional - PEC, que deverá ser promulgada na próxima semana que acaba com a verticalização. Ou seja, acabando com a verticalização ela não pode estar vigendo este ano, já que foi extinta. Assim, o presidente das duas casas legislativas federais deverão ingressar com uma ação no Supremo Tribunal Federal para derrubar a decisão do TSE.
Uma importante figura da política nacional e local disse ontem, ao saber da decisão do TSE, que o fim da verticalização mexe com todo o quadro político nacional e maranhense. Talvez sim, talvez não. Até hoje a indefinição é o principal ingrediente da sucessão nos dois níveis. No plano nacional, a única aliança que até agora está definida é a do PFL com o PSDB. Parece. O prefeito César Maia tem reiterado que se Alckmin ganhar de Serra a indicação tucana ele sai candidato pelo PFL e aí acaba a aliança.
No mais, nem o PT do presidente Lula sabe ao certo com quem vai às urnas. Fala-se em PMDB, PSB, PTB, PL e PP. Nada, entretanto, é definitivo. Daí que não se pode fazer projeção sobre hipóteses. Se prevalecer a tese de candidatura própria do PMDB e do PTB que apoiou Serra na eleição passada, mas que hoje é aliado de Lula, o PT vai ter dificuldades para fazer aliança nos estados. O mesmo ocorre com o PSDB. Com ou sem o PFL, a tendência é que muitos palanques se fechem nos estados e se abram em outros.
No Maranhão é inimaginável um palanque a Serra no PFL. Isso jamais foi cogitado e nem o será. O mais provável é que, em sendo Serra o candidato tucano, ele passe ao largo da costa maranhense. Também é improvável que Castelo ou qualquer outro tucano seja escolhido vice de Roseana.
Estrago maior vai acontecer na frente governista. A divisão será inexorável. Afinal, o PDT nacional terá candidato próprio e não admite nem conversar com os tucanos e o PSB está fechado com Lula. Jackson perderá o apoio do PSDB, do PT, do PSB e verá murchar a sua candidatura. Assim, o candidato de José Reinaldo ficará contando apenas com a máquina governista, pois o PSB, que vai ser lulista, não poderá coligar com o PSDB e do PDT no Maranhão, se resumindo a uns dois ou três municípios.
Mas como tudo ainda é incerto e a previsão que o STF venha a se manifestar sobre isso só em junho, o mais provável é que só depois da Copa do Mundo a gente vá ter uma definição. Ou, então, todos farão como em 2002 e todos fecharão os olhos e fingirão que a verticalização é para valer. Sem ser.