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Ou não sabe do jogo, ou tem o olho de chinês


Data de Publicação: 5 de março de 2006
 
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Cantador: Zé Fogoió

Passada a festa de Momo
Eu volto com o meu cordel
Pra falar das traquinagens
Políticas de Zé Noel
Que jurou amor à Frente
E agora é um infiel

Pra que não sabe do jogo
Ou tem olho de chinês
Cuidado ao mexer as pedras
Neste jogo de xadrez
Que ao invés de qualquer mate
Mate o velho de uma vez

O enxadrista de estradas
Entre apaga e acende velas
Faz promessa pra dois santos
Sem andor e sem capelas
Ao cantos gregorianos
Em procissões paralelas

Pra um promete apoio
Pra outro vitória certa
No canto do mesmo aboio
O cinto de couro aperta
Separa o trigo do joio
Com aquela conversa esperta

Só que a Frente já conhece
Zé Noel de todo lado
Ninguém escreve o que fala
Sujeito que é mandado
Lançou o velho num dia
Pra no outro ser puxado

Isso é próprio dos traíras
Nos lagos que os aquecem
Por onde o ódio revira
Decalques que se parecem
É como diz o ditado:
Eles todos se parecem

A traição não é dom
Que eleve homem algum
Tão rápida quanto o som
E os castigos de ogum
Naqueles que se atraem
A algo sempre em comum

A Frente é um apanhado
De coração sem afeto
Que o desamor tem bordado
Como mendigo sem teto
Onde o rancor fez morada
O amor nasce incorreto

O ódio é transpiração
Mãe gêmea da vaidade
Como nó da traição
Da pusilaminidade
O traidor tem no ódio
A vasão da sua verdade

Se dois trairas se encontram
São duas pedras de gelo
Os olhos se perdem atoa
Sem ter ambição de vê-lo
Um finge que aceita tudo
Ao ponto de promete-lo

O gagá e Zé Noel
São cópias dessas figuras
Prometem festa no céu
Pra iludir as criaturas
No óleo do mesmo féu
Vão fazendo essas frituras

Hoje é um fritanto o outro
Que fogo brando repete
O seu jargão de verdade
É sempre o número sete
É um querendo jantar
O outro como omelete

O velho babaca broco
Dá pena em vê-lo assim
Só ta recebendo troco
Pelas mãos do mandarim
A quem ele deu um soco
Querendo ver o seu fim

Pra falar só por ventriloco
Qual a moral que ele tem?
Se processou o seu líder
Comprando voto a vintém
Agora o líder dele
Processa ele também

Só que o tal processamento
É a desmoralização
De quem a honestidade
Na política foi refrão
Com a ética e a moral
Hoje a um palmo do chão

O cara que se sujeita
A ser vilipendiado
Publicamente exposto
E agora desrespeitado
Não tem condição alguma
De pedir pra ser votado

O fardo da inoperância
Em conter dois candidatos
É preço da ignorância
Que repete os mesmo fatos
Maravilhas abstratas
Com molduras sem retratos

O pior dessa esperteza
Quando o ódio ta viço
É que a mesma frieza
Com que se faz o serviço
Não consultaram pobreza
E o povo não sabe disso

Parece até que noel
Astuto desde menino
Montado no seu corcel
Combalido e peregrino
Vai pintar no seu papel
O nosso próprio destino

Duas linhas paralelas
Qual dois pombinhos voando
Um pro lado da procela
E outro já se afundando
São duas "candida-duras"
Perdidas no não sei quando

São dois litros de cachaça
Que passaram do apuro
São dois bêbados na praça
Se insultando no escuro
São duas rolas perdidas
Tristonhas em cima do muro

São dois carros a reboque
Duas mão sem uma flor
Dois quilos de não-me-toque
Dissolvido em dissabor
São dois corações em choque
Sem sentido e sem amor

Duas coisas impossíveis
De águas e óleo ligados
Dois futuros previsíveis
Como frutos estragados
Dois barcos sem timoneiro
À deriva e alagados

Dois botões da mesma blusa
Dois pés do mesmo sofá
Duas paixões sem ter musa
Dois olhos sem ter olhar
Duas bocas sem palavras
Dois oceânos sem mar

Fogoió, dois pensamentos
Um de costa outro de frente
Dois sonhos de noite longa
Cada um tão diferente
Resume num pesadelo
Que acompanha essa Frente

O povo já escolheu
E o destino lhe traçou
O fruto que se colheu
É o mesmo que se plantou
Do trabalho de uma rosa
Germinou a mesma flor

O povo tá com a palavra
Desse direito faz jus
A rosa que vem do povo
Nasce forte com a luz
E refloresce de novo
Pelos braços de Jesus

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