A eventual manutenção da verticalização é um duro golpe nos 4 principais partidos do país: PMDB, PFL, PSDB e PT. Essas siglas já estavam salivando sobre o vale-tudo aliancista para outubro. Agora, terão de reavaliar todos os pré-acertos.
O PMDB e o PFL tem prejuízo um pouco maior. Essas duas siglas são viciadas em apoiar algum candidato a presidente (de outro partido, claro) e fazer todo tipo de associação nos 26 Estados e no Distrito Federal. Se a verticalização for mantida, isso será impossível.
O PFL, por exemplo, terá de pensar muito antes de apoiar um tucano (Serra ou Alckmin). Se o fizer, terá de repetir a mesma aliança nos Estados. Continuará a ser um partido grande, porém com expressão reduzida no sentido de que nunca consegue chegar ao Planalto.
O PMDB acabará numa sinuca de bico com a verticalização, pois deve fracassar totalmente a idéia de ter candidato próprio. Até porque Rigotto e Garotinho teriam de se contentar em serem candidatos sozinhos, sem nenhuma sigla os apoiando oficialmente.
O PSDB, por óbvio, ficará desidratado sem seu aliado de todas as horas, o PFL. Se Serra já andava com medo de assumir a candidatura, agora a coisa complica. Por outro lado, fica pavimentado o caminho para Alckmin: ele não tem nada a perder e tornará o seu nome nacionalmente conhecido - mesmo perdendo para Lula.
O PT, que sonha com alianças heterodoxas pelo país - agora que a sigla se libertou de dogmas do passado - terá de voltar um pouco às origens.
Nesse cenário complicado, talvez o único que esteja numa situação melhor seja mesmo o presidente Lula. Ele - que curiosamente se diz contra a verticaliação - tem aparecido como favorito nas pesquisas para o Palácio do Planalto. Até há pouco tempo, aliados tradicionais do PT como o PC do B e o PSB ameaçavam não dar apoio a Lula.
Agora, aparecendo como favorito, Lula poderá se dar ao luxo de esnobar esses partidos pequenos. Quem não poderá fazer isso são exatamente as siglas como PC do B e PSB.