Evilásio Santos
Telhado de vidro
A decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mandando retirar da cidade todos os out-doors da Prefeitura de Caxias, por entender que eles indiretamente favorecem a campanha de alguns candidatos, é um golpe às pretensões do prefeito Humberto Coutinho de utilizar a máquina da Prefeitura para vencer as próximas eleições de outubro no município.
Mas não se pense que a medida tem o condão de perseguir o alcaide. Antes, trata-se da correção de uma ilegalidade que espertamente vinha sendo aproveitada por seus marqueteiros, os quais, de forma dissimulada, vinham se utilizando desse tipo de mídia para manipular a consciência do eleitorado caxiense.
Personagem coadjuvante em outros períodos eleitorais, quando podia agir livremente, mas agora figura de proa à frente do executivo caxiense, HC sente pela primeira vez os efeitos da exposição política do cargo. E, como primeiro mandatário da cidade, verifica que é muito difícil atuar na surdina e percorrer impunemente os perigosos terrenos da política. Não é mais uma pedra a estilhaçar o telhado de seus adversários, mas a própria vitrine, sobre a qual converge a atenção de todos.
Isso significa que tudo o que fizer, ou tenha a idéia de fazer, passa por um rastreamento severo da parte de seus adversários, mas, principalmente, da justiça eleitoral, que já dá mostras de que será intransigente contra qualquer forma de corrupção no Estado. Afinal de contas, isso é justo, porque a máquina da administração municipal está sob o seu comando, e os cofres públicos, também.
Partidários da ex-prefeita Márcia Marinho informam que ela sofreu horrores com a pressão de seus adversários na última eleição municipal, entre os quais do próprio HC, que a imobilizaram com um sem número de denúncias plantadas. E garantem que a estratégia evoluiu a tanto que, no dia da eleição, seus eleitores da zona rural não puderam votar por falta de transporte. Para eles, mesmo que quisesse, a ex-prefeita jamais poderia contar com o apoio da Prefeitura.
Ao acolher a representação da coligação que apóia Roseana Sarney, a Justiça demonstra que a imparcialidade será uma característica dessa campanha. O que vale para um, vale para todos, indistintamente. Mas é inegável que o fato é ruim para o prefeito, porque expõe um dos pilares mais fortes de seu governo, que é a propaganda, e sem propaganda e praticamente nenhuma realização de peso, ficará difícil o trabalho de convencimento do eleitorado.
HC deve pensar, não duas, mas dez vezes, antes de autorizar que seus cabos eleitorais venham a promover as ilegalidades registradas nas últimas eleições. A Justiça está vigilante, e ele não tem mais as costas quentes de antes.
Dossiê
Circula na cidade um dossiê contendo a trajetória política do ex-ministro Edson Vidigal. É um documento bombástico, que o identifica como falsário e traz também reportagens e matérias de jornalistas de prestígio desfazendo a sua imagem de jurista e apresentando-o como vendedor de sentenças. Pior ainda, anuncia a edição de outro dossiê no qual o candidato a governador é apontado como delator, no período do governo dos militares.
Turismo
O ônibus da alegria ainda está dando no que falar pelas esquinas de Caxias. Após a decisão da Copa do Brasil, no Rio de Janeiro, o veículo ganhou estrada rumo a Foz do Iguaçu. Turismo no mais alto estilo para cabos eleitorais, simpatizantes, vereadores, ex-vereadores e assessores do primeiro e segundo escalão da Prefeitura. Comandando a trupe, o ex-vereador Ferdinando Coutinho, irmão de HC, e o presidente da Câmara, Ironaldo Alencar. Custo da viagem – 25 mil reais.
Estilo
A viagem do ônibus da alegria seria uma espécie de concentração da equipe para atuação no pleito eleitoral. Reanimada por mais de uma semana de férias, a turma deve vir com gás renovado para as eleições. Pela frente, então, aguarda-se mais uma apresentação do estilo jamanta de HC fazer política, onde o que importa é vencer, mesmo na marra, com intimidação ou ameaças.