3º destilado mais consumido no mundo
PAIXÃO DE BRASILEIRO - Cachaça
A indústria produz 1 bilhão e 700 milhões de litros (sendo 1 bilhão e 300 milhões de litros industrialmente e 400 milhões de litros artesanalmente), gera uma receita de mais de um bilhão de reais e emprega aproximadamente 700 mil pessoas direta e indiretamente. Uma bebida que é a 2ª mais consumida no país (só perde para a cerveja) é o 3° destilado mais consumido no mundo, logo após a Vodka e o Soju (bebida coreana).
Considerada pela revista "Impact International", um dos veículos de comunicação mais influentes da Europa no setor de bebidas alcoólicas, como "o destilado do novo século". As Revistas "Style" (E.U.A) e Rayon Boissons (França) ambas especializadas em bebidas, elegeram um drink preparado com esse destilado como "o drink do novo milênio". O volume de exportação dessa bebida vem crescendo em média 15% ao ano.
Por todas as citações acima, essa bebida merece respeito. Estou me referindo à cachaça, bebida genuinamente brasileira, tão brasileira que mereceu até decreto, o de N° 4062 de dezembro de 2001 "especificando que a utilização do nome cachaça e cachaça do Brasil é restrita aos produtores estabelecidos no Brasil".
A cachaça, cuja descoberta surgiu praticamente com o descobrimento do Brasil, que se tornou símbolo da resistência e de brasilidade e que hoje encanta os estrangeiros, nem sempre esteve em alta.
Durante séculos foi perseguida, proibida, taxada, estigmatizada e marginalizada, tudo isso impediu o desenvolvimento tecnológico na fabricação da cachaça, principalmente a artesanal.
Porém os produtores, principalmente os de Minas, entre eles, o mito Anísio Santiago (Cachaça Havana), sempre acreditaram no que faziam no seu produto, a eles se juntaram especialistas, professores, entidades, que juntos passaram a trabalhar para inserir a Cachaça no mercado nacional e internacional. Vários programas de incentivo de melhoria, capacitação dos produtores, mudanças tecnológicas foram introduzidos na região.
Entre esses programas, vale ressaltar o Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça (PBDC) criado em 1997. Os resultados todos já sabem: a alavancagem da qualidade da cachaça de Minas. Essas experiências se difundiram por outros estados como Santa Catarina, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, entre outros.
Fruto desses trabalhos e da perseverança dos produtores, hoje a cachaça de alambique de qualidade já ocupa lugar de destaque nas cartas de bebidas dos mais famosos e requintados bares e restaurantes de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife, Salvador e outras cidades.
Já se pode também encontrar casas especializadas em cachaça, que possuem em suas cartas centenas de marcas de qualidade produzidas nos mais diversos estados da federação.
Os preços nesses locais variam de no mínimo R$ 3,00 a R$ 50,00 a dose, dependendo do tempo de envelhecimento (em alguns casos pode chegar a 8 anos) e da madeira utilizada na confecção do tonel usado no envelhecimento.
O Maranhão ainda não possui uma cachaça artesanal de qualidade, porém já existe um movimento entre os produtores que, apoiados pelo Sebrae e parceiros, tem como objetivo melhorar a qualidade e a produtividade da cachaça de alambique produzida no estado, inserindo o Maranhão no seleto grupo de estados produtores de cachaça artesanal de qualidade.
Uma dica aos que gostam de "ir com muita sede ao pote", beba sempre com moderação, pois como diz a marchinha carnavalesca: "Cachaça não é água não". Como não o são whisk, vodka, cerveja, vinho e todas as demais bebidas alcoólicas.
OS SETE MANDAMENTOS DA BOA CACHAÇA
1. A boa cachaça não resseca nem queima a língua.
2. A cachaça de qualidade não deixa bafo, seu odor tem que ser suave. Cheire a cachaça ou esfregue uma pequena quantidade na palma da mão. O buquê deve ser agradável e lembrar suavemente o aroma da cana, além de odor de madeira se a cachaça for envelhecida em tonéis ou barris de madeira.
3. Prefira as garrafas de vidro claro, liso transparente e com rolha. Evite garrafas de plástico (PET), PVC ou polipropileno (PP), pois esses materiais alteram a qualidade da cachaça.
4. A cachaça de qualidade quando agitada na garrafa, forma bolhas (leve espuma) que deve desaparecer em no máximo 15 segundos.
5. Despeje lentamente a bebida pelas paredes do copo e observe. A cachaça deve escorrer como um fino óleo, leve película.
6. Verifique contar a luz se o líquido é transparente e não contém impurezas.
7. Uma vez aberta, a garrafa deve ser mantida bem fechada, para evitar a evaporação.
PREPARAÇÃO PARA DEGUSTAÇÃO
Segundo Marcelo Câmara em seu livro - Cachaça, Prazer Brasileiro - "Degustar, beber com inteligência e prazer, equipara-se a mesma ciência, arte e paixão de fazer cachaça e de envelhecer cachaça. Uma sabedoria que não está nos livros, ou nas escolas, mas nas vivências e convivências, um eterno aprendizado similar ao conhecimento do outro, às práticas das regras do bem viver, do aceitar o outro ou do querer bem, que são, imponderavelmente, consuetudinárias, mutantes e acumulativas. A paz e a saúde cultural do degustador acalmam o espírito, repousam os órgãos, funções e tecidos, otimizam a sua sede, o seu desejo, conduzem à satisfação."
Ao se degustar a cachaça deve-se utilizar todos os sentidos : visão, tato, olfato, paladar e porque não a audição. Só assim o prazer de degustar uma boa cachaça será completo.
ETAPAS DO PROCESSO
COLHEITA OU CORTE - Após atingir o amadurecimento a cana com alto teor de açúcar é colhida sem ter a palha queimada.
MOAGEM - A cana é esmagada na moega, para extração do caldo denominado garapa que e filtrada e decantada para separação do bagacilho, bagaço e demais impurezas.
FERMENTAÇÃO - Nessa etapa do processo ocorre a transformação dos açucares da garapa em álcool e outras substâncias que compõem a cachaça. Essa fermentação é realizada de forma natural pela levedura existente na própria cana, sem adição de qualquer substância química.
DESTILAÇÃO - O vinho obtido na fermentação sofre um processo de aquecimento em um equipamento de cobre, denominado alambique, onde a fração do álcool e outros componentes específicos são separados das demais substâncias. Após o resfriamento, tem-se a cachaça jovem. Vale salientar que a utilização do cobre na confecção do alambique é fundamental para a qualidade da cachaça, pois o cobre retira substâncias indesejáveis como o enxofre.
ENVELHECIMENTO - Quando a cachaça é armazenada em barris de madeira por um período superior a 6 meses obtêm-se a cachaça envelhecida que tem como principais características uma cor dourada, maior suavidade e leve aroma de madeira.
ENGARRAFAMENTO - A cachaça descansada ou envelhecida é então envasada em recipientes devidamente lavados, fechada e rotulada.
Obs.: As madeiras mais utilizadas na confecção dos barris são: carvalho, amburana, bálsamo, cedro e feijó.