Por Gilberto Léda
Editoria de Política
AÇÃO DESESPERADA
Cartas-convite dirigidas
Informações vindas direto do Palácio dos Leões dão conta de que o governador José Reinaldo Tavares (PSB), preocupado com a debandada de prefeitos da sua base de apoio, em virtude do não cumprimento de promessas de campanha, estaria montando mais um esquema que, como sempre, lesa os maranhenses e beneficia aqueles que ainda compactuam da administração mais corrupta do Brasil.
Para continuar mantendo o apoio desses administradores municipais e evitar o crescimento da base aliada à senadora Roseana (PFL), da coligação "Maranhão - A Força do Povo", o chefe do Executivo Estadual teria garantido aos prefeitos a alocação de verbas para a realização de obras nas cidades.
No entanto, como durante os três meses que antecedem as eleições a legislação não permite a transferência de recursos dos Estados aos Municípios, José Reinaldo teria montado a seguinte jogada: designaria os recursos para os serviços de pavimentação de vias urbanas, recuperação de estradas vicinais e construção de sistemas de abastecimento d'água a empresas indicadas pelos prefeitos, que superfaturariam o preço das obras e repassariam o excedente aos municípios.
"É uma forma de o prefeito 'tirar' o dele por fora, através de obras superfaturadas", explicou nossa fonte no Governo, em conversa, ontem à tarde (9), por telefone. Segundo o interlocutor, as contratações seriam todas realizadas através de cartas-convite dirigidas.
"As cartas-convite já estarão todas marcadas para as empresas que os prefeitos apontarem, porque elas é que vão participar do esquema", completou.
Mais uma enganação
Apesar da tentativa de manter apoio para as campanhas dos três candidatos do Governo, José Reinaldo sabe que a suposta jogada não passa de mais uma ação desesperada e tem tudo para não dar certo. Nenhuma das mais novas promessas poderá ser concretizada, contribuindo, apenas, para o aumento do descrédito do governador.
A Lei Eleitoral proíbe, também nos três meses que antecedem o pleito, que os Estados executem obras de competência municipal, como é o caso de pavimentações de vias urbanas, recuperação de estradas vicinais e ações para a melhoria do abastecimento d'água, por exemplo, ainda mais fracionando licitações através de dezenas de cartas-convite.
Desta forma, as obras prometidas por José Reinaldo nunca chegarão aos municípios e a única coisa que ele vai ganhar com isso é mais uma denúncia na Justiça, juntamente com os secretários Ney Belo (Infra-estrutura), Helena Ferreira (Saúde), Gardênia Ribeiro (Desenvolvimento das Cidades) e Lourenço Tavares (Educação).