* Por Jonas Costa
Para falar sobre o voto, obrigo-me esclarecer, primeiro, que o termo eleição, do latim "electio" do verbo "eligere", significa escolher. Por isso há eleições em várias esferas e com finalidades diversas, tais como: a) agrupamentos sócio-recreativos; b) empresas e coletividade do trabalho; c) instituições de empresas de classe ou de interesses de grupos, d) órgãos do governo no âmbito municipal, estadual e federal. Destas, a última é de grande interesse ao cidadão, porque, através dela, são escolhidos aqueles aos quais é entregue o destino da Nação. Em outras palavras: é o processo democrático, que permite decisões que atendam de maneira mais perfeita aos desejos e aspirações de uma coletividade, distribuindo-se, por igual, entre os elementos que a compõem, a responsabilidade de selecionar os melhores para os cargos ou funções que devem ser realizados para o bem comum.
Portanto votar, para o cidadão, é cumprir seus deveres para com a Pátria; é saber fazer representar os direitos que a ela confere; é aquele que se identifica de tal modo com a Pátria, que fez seus problemas dela e que, em última analise, dá à sua vida cívica o sentido de uma colaboração ao progresso e engrandecimento da mesma. Esta é a única forma de todos os cidadãos aptos podem demonstrar, como participantes de uma sociedade política, a sua vontade de participar do governo do Estado. Realmente, em um Estado democrático, o cidadão é, ao mesmo tempo, participante e súdito da soberania. Como súbito, é seu dever cumprir as leis e colaborar de forma efetiva para o progresso da comunidade. Como participante da soberania, o indivíduo tem o direito de concorrer para a sua organização e desenvolvimento, cuja forma é a decisão através da eleição, que acontecerá em 01 de outubro de 2006, quando uma quantidade relativa de candidatos à Presidência da República, ao Senado Federal, a Câmara Federal, aos Governos dos Estados e as Câmaras Estaduais, todos considerados responsáveis e competentes, manifestam o seu direito como concorrentes, para organização do governo. Porém, depois de eleitos muitos, infelizmente, se esquecem, quando no poder, das responsabilidades assumidas, conduzidos para rumos diversos e contrários aos princípios democráticos, como a depravação moral e a traição, esta última que abrange a infidelidade em relação aos compromissos perante o partido, acarretando vergonha, degradação e, inclusive, trazendo prejuízos a quem os confiou - seus eleitores. E, assim, esses políticos se esquecem que o voto é um ato que deve ser exercido, não apenas com liberdade e em segredo, mas também através de um processo cuidadoso da pessoa ou candidato em quem se vai votar. Isso significa dizer que a escolha deve recair no candidato que realmente for julgado melhor. Pois o voto por interesse pessoal ou pela perspectiva de vantagem individual, degrada o ato cívico. Transforma-o em mau negócio. Por isso o reto exercício da democracia não é simples, nem é fácil, muitas vezes, porque os maus políticos procuram dificulta-lo através de uma série de interesses opostos que lhe criam obstáculos, como: a exploração da ignorância dos eleitores, o suborno, as fraudes eleitorais, as pressões políticas e econômicas exercidas sobre o eleitorado. Uma vez no poder, os mesmos representantes devidamente eleitos sabem encontrar mil maneiras de burlar as responsabilidades assumidas com seus eleitores, e visar mais seus interesses que aos deles.
Atitudes estas que, além de serem crime, são um abuso à credulidade popular, o que vem contribuído para distanciar nosso regime democrático de outros países, em função do nível do seu desenvolvimento político. E o pior é que, desses maus políticos, o Brasil está farto, e o povo, diante de tanta decepção e esperanças tantas vezes frustradas, cada vez mais se decepciona e perde a confiança, que tem raízes na firmeza e na sinceridade. Por tudo isso é que o corpo eleitoral deve ser constituído por homens sérios e competentes, não para governar por si mesmos, não para resolver pessoalmente os problemas nacionais, mas para escolher os que melhor possam, como governantes ou representantes, prover as necessidades coletivas. Pois o povo brasileiro ainda não perdeu o seu olhar para o futuro, porque o considera portador de condições melhores e as oferendas pelo presente, e por isso continua na luta pela vida e para conter os sofrimentos enfrentados, na expectativa de que a esperança é uma virtude sobrenatural, que leva o homem a desejar Deus, como bem supremo.
Advogado Prof: Jonas Costa
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