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Paula Tina



Data de Publicação: 13 de agosto de 2006
 
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Campeões de audiência

Ricardinho, meu atabalhoado pescador de ilusões, minha cabeça está a mil com essa coisa de política. Às vezes, fico deprimida com tanta selvageria e chego a dizer que vou leiloar o meu voto num pregão do Mercado Central. Aí vem o Edivaldo Holanda Júnior com todo aquele jeitinho e me demove de idéia tão amalucada. Mas dá um desânimo e o sono não chega. Só que todo o dia, a insônia me convence que o céu faz tudo ficar infinito. Então eu penso, tomo um copo d'água e depois deságuo em mim mesma. E lembro que o cérebro humano começa a trabalhar no momento em que o sujeito nasce e não pára, até que ele (o sujeito) sobe num palanque pra fazer um comício. O comício é o eleitor em transe, com a alma completamente degenerada. Acho que estou sozinha no redemoinho da campanha eleitoral que surge à minha volta. Sim, fofóide, há políticos que não tomam jeito mesmo. Os dias vão passar lentamente até primeiro de outubro. Seremos por quarenta e cinco dias prisioneiros nas grades do vídeo. Fico apavorada só em pensar! Hoje, só consegui conversar comigo mesma e não cheguei a um acordo. Pode? Temo as baixarias que virão a partir de terça-feira. Os candidatos deveriam agir com o juízo e não com o fígado. Pensem nas crianças...

Alma do negócio
Gente, eu fiquei boba com o artigo do poeta Alex Brasília sobre Roseana. Ele arrasou! Arrasou na sintaxe, no enquadramento, no layout do texto, na formatação gráfica e na tipologia. A peça publicitária só não ficou melhor porque, como recomenda o manual da boa propaganda, um bom texto precisa casar com uma boa foto. E nisso o conjunto da obra ficou devendo.

Jus à imortalidade
O pessoal da Academia Maranhense de Letras ficou impressionado com a capacidade de síntese do poeta Alex Brasília. Jomar até hoje não sabe como o autor das Quatro Estações conseguiu dizer tanta coisa em tão curto espaço. Ceres Fernandes chorou copiosamente. Sônia Almeida ficou empoçada de lágrimas. Itapary, despeitado, diz que nunca conseguiu chegar a tanto no exercício do lirismo roseanesco. Laura Amélia cortou os pulsos com a velha cimitarra que guarda debaixo do colchão. Morto de vergonha, Lino Moreira confessou-me que vai ficar três meses sem enviar crônicas para O Estado do Maranhão.

Sem destino
Não se fala de outra coisa em Brasília. Diz que Xandra tá de novo amor. É verdade! Quem me contou tudo, tim-tim por tim-tim, foi a Carol Çá. O nome do consorte (com o perdão do eufemismo!) é Magno. Jovem na casa dos trinta anos, corpo sarado e motoqueiro, Magno é remanescente dos áureos tempos do Gama, quando Xandra ainda cintilava mais do que todas as cidades-satélites do Planalto juntas. Dono de uma possante Harley-Davidson, Magno usa blusão de couro preto, é de pouca conversa e parece ter saído de algum seriado de TV dos anos 70. Xandra tá louca pra desfilar na garupa da moto com ele pela Praia do Meio. É só uma questão de tempo.

Deu a louca
E o turcão Joaquim Haickel foi preciso quando afirmou, ao longo da semana, que o mascate João Evangelista, com o auxílio luxuoso do Carneiro, conseguiu gardenalizar a Assembléia Legislativa. Ainda não sei exatamente o que ele quis dizer com isso, mas a Gardeninha ficou ouriçada com o termo usado por aquele turco enorme.

Sacal
E depois do Pró-DimDim, Carneiro lançou agora o Pró-Nerd, programa criado especialmente para gerar ocupação para o Felipe ex-Clã Sarney. Desde que a Xandra exilou-se em Brasília, o secretário da Juventude Humana está com a pacotilha em carne viva de tanta falta do que fazer. Nem o hiplogós tem aliviado a barra do fofo.

Tudo tem seu tempo
E Vidy Gal finalmente voltou a São Luís depois de uma rápida circulada de uma semana no Shopping Iguatemi, em São Paulo. Exausto com o ritmo da campanha pelo interior do Estado e cinco quilos mais magro, segundo cálculos da PM, Vidy Gal retornou revigorado com o apoio de lojistas nordestinos residentes em Sampa. Acha que, agora sim, vai empinar nas pesquisas.

Rei morto...
A outrora cintilante Ceilândia da Consuelo já não consegue aflorar o sorriso de porcelana do outrora confiante Vidy Gal... Na semana que passou na Corte tomou dúzias de cafés requentados, engoliu chás de cadeira e sofá, e recebeu série de "carneiradas", do elevador do prédio onde morava ao aeroporto... O ascensorista não lembrava do supremo desconhecido; indeferiram acesso a ele na sala vip; a empresa de aviação mandou cobrar as torradas de bordo...

... rei posto...
"É o fim da picada!", reagiu o candidato derrotado de frente e costa... Ao ouvirem a frase, agentes da Infraero acionaram a Vigilância Sanitária... "O senhor passou por Imperatriz?", despacharam... Ante a confirmação, puseram o passageiro da agonia em quarentena neurológica... "Não podem me prender assim!... Eu tomei minha dose diária de Calcigenol Irradiado B12 EPF Millenium"...

... caiu do encosto
Os vigilantes nem deram atenção... Os morcegos hematófagos de Turiaçu foram chamados às pressas para escoltá-lo, e assim Vidy Gal pôde continuar a gravar programas sem base no hospital dos servidores... "Meus três por cento de eleitores sobreviviam sob ameaça velada", confidenciou a um enfermeiro enquanto estava confinado... "Três por cento de indecisos ou de votos nulos?", perguntou um inocente... "Nem ministro da Assembléia de Deus berra tanto quanto esse pobre homem", cochichavam nos corredores da Corte...

Olho vivo
Não foi por falta de aviso dos assessores... O deputado Luiz Pedro Malazarte descolou a retina depois de espionar o fundo do poço do governo Carneiro... Viu o que não deveria ter visto nunca... Há colegas na Assembléia na aposta: com ou sem retina paga pelo Carneiro, ele não descola outro mandato tampão...

Os reis da cocada azeda
O presidente-mascate João Evangelista perde pedaço da cocada mas não perde a freguesia... Falam pelos Leões que ele garantiu o cachê integral da campanha "esquecendo" a promessa do novo prédio da Assembléia... Como o construtor da "obra" trafega por estradas fantasmas, não é de estranhar que o assunto fique restrito a parentes...

A xita e o carneiro
O cargo que ele entregou a ela é obra de um selvagem... Delegar à moça de fino trato a coordenação de algo que não existe, em órgão que não existe, em governo que não existe, só pode ser produto de um amor que não existe...

Alagações
Jaquisson, Mãe Claydiana, Ader$inho, Vaiguiner, Mané Zéluis... Com tantos lagos em volta, a campanha do Vidy Gal, desde o início, estava fadada ao naufrágio... Aliás, a fada-madrinha dele bem que tentou avisá-lo dos perigos da Baía de São José...

Fora do ar
Um amigo da Paula Tina está inconsolável... Pensava "sintonizar" algum troco na campanha do Robertho Racha, e descobriu que o filhinho do Lóia é quase tão pobre quanto ele... "É rocha ver dinheiro saindo das mãos dele... Tudo o que entra no cofre chega por ondas médias, curtas e tropicais", resigna-se...

Do outro mundo
Sinceramente, por essa Meyreles Júnior, Albani, Márcio Prado e Edgar Rocha não esperavam. Todo o mundo decidiu tirar os cromos da gaveta e nada de investimento de candidatos em fotografia nova para esta campanha. Graça Paz pegou a foto da primeira comunhão. Maura Jorge reaproveitou a do baile de debutante. Dona Nice resgatou uma do batizado do Edinho. Marly Abdala foi buscar uma dos tempos das tertúlias do Jaguarema. E a Nazaré se apresentou de novo com o retrato da mana que foi miss. Em assim sendo, desta temporada não se acenderam os flashes. Tá todo o mundo com cara de anteontem (ou do século passado!). Eu fiquei bege. Eu e o Humberto Mota.

Aeroporto de mosquito
Já o Ofelino Neto, tadinho, que nunca tinha posto a cara num cartaz, viu-se obrigado a ir ao estúdio. Acontece que ele, depois que saiu do Partido Verde e da Secretaria do Meio Ambiente, viu acentuar o terrível processo de devastação capilar de que tem sido vítima tão precocemente. Aí ele juntou o útil ao agradável: diminuiu a área fotografável, deu às lentes somente 20% de testa, das sobrancelhas para baixo, e sonegou a careca progressiva dele que, afinal, não é da conta de ninguém. Ficou um pouco esquisito, é verdade, mas não pode se negar que esse é um jeito novo do sujeito careca aparecer sem mostrar que é careca, não é mesmo?! Coisa de quem está acima da média e isso o gato de barbas do Correa não vê...

PAULATINAMENTE
Vastas emoções e pensamentos imperfeitos da Paula Tina: "Enquanto o Carneiro voa em círculo de fogo e viaja em ordinário asfalto, a Xandra plana no... Planalto".

CARTAS DA HISTÓRIA 3

A última que morre

Peço desculpas aos leitores, mas a quantidade de cartas que têm chegado à minha caixa postal é algo de extraordinário. Peço um pouco de paciência, pois prometo que publicarei todas durante as próximas colunas. Hoje, o missivista é o candidato da auto-ajuda Vidy Gal. De uma lan house, em São Paulo, ele nos conta como tem passado os últimos três meses. Sinta.

"Amiga Paula,

Recebi com muito entusiasmo o convite que me fora feito para participar dessa Frente idealizada pela mente fértil da Xandra - e que o Jaquisson tanto insiste em dizer que foi idéia dele!

A princípio relutei, pois sabia que se entrasse na Frente estaria contrariando toda a minha história de homem público e vitorioso. Estaria brigando contra o meu passado. Estaria escarrando na louça onde muitas vezes fiz a minha ceia!

Pensei no meu emprego: como jogar para o alto oito anos de regalias que só os homens mais justos desfrutam? E o futuro da minha esposa? O que vai ser do meu filho sem o meu braço amigo naquela soturna Brasília?

Mas a alma é pequena e a carne é fraca. Iludi-me com os favos de mel que me foram ofertados nas porcelanas do palácio. Encantei-me com o bezerro de ouro que me fora prometido como recompensa pelo sacrifício. Esqueci-me das trapaças do Touro Encantado e das peraltices do Rei Sebastião.

Só um homem sem sonhos não cairia nesse tão bem tramado conto do vigário. Até o Zyl Denis, que nunca foi de rasgar dinheiro, deixou-se agasalhar na lã estreita do Carneiro.

De abril até agora, amiga Paula, posso lhe dizer que já vi de tudo nessa vida. Só não tenho visto votos. Ou talvez os votos não me vêem. E se me vêem, não me reconhecem.

O compadre Washington tem me dito que já não agüenta mais segurar o Tchan nas viagens que fazemos pelo interior do Maranhão. Já não sei mais o que fazer.

O que a Roseana tem que eu não tenho? Serão aqueles olhos verdes? E os meus dentes brancos e essa minha cabeleira grisalha, não contam? Gente ingrata essa do Maranhão. Não reconhecem um homem que veio lá de baixo e, com o próprio suor e o empurrãozinho de amigos, subiu na vida...

Hoje posso dizer que estou esmorecido. Como se não bastasse o desânimo, ainda tem o Jaquisson no meu encalço, a desconfiar das minhas intenções e convicções políticas. Ele e a corriola do PDT acreditam que estou a serviço do Sarney.

Já não sei mais quem eu sou. Estou em crise existencial porque vivo uma liberdade vigiada dentro da própria Frente de Libertação. Tem dias que me olho no espelho e me pergunto: quem é mesmo este Vidy Gal de hoje? O espelho cala e consente o que eu não sinto.

Por essas e outras é que às vezes me dá vontade de chutar o pau da barraca e sair por aí, de shopping em shopping, a gastar o que tenho e o que não tenho.

Quando estiveres lendo esta carta, Paula, estarei numa das salas de cinema do Iguatemi, em São Paulo. Ninguém é de ferro.

Não quero que sintas pena de mim, Paula. Apenas me ouça! Tudo poderá acontecer nos próximos dias, inclusive nada.

Com o carinho de sempre,

Vidy."

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