Um longo depoimento foi prestado na manhã de ontem, no Fórum de Açailândia, pelo casal Elizângela Alves de Sousa e João Gonçalves de Paiva, acusados de abusar sexualmente e, conseqüentemente, matar três jovens na cidade de Açailândia. Diante do juiz, mesmo tendo ajudado a polícia encontrar o corpo de uma de suas vítimas, João Gonçalves negou a confissão feita durante o inquérito policial.
No termo de qualificação e interrogatório, ele disse que, sob o comando da delegada Igliana Teresa, foi torturado pelos agentes policiais e o mesmo aconteceu com Elizângela, que, apesar de nunca ter assumido envolvimento nos crimes, também disse ter sido torturada. No final do mês passado, o casal foi beneficiado com um Alvará de Soltura, mas retornou para cadeia menos de 12h depois, atendendo solicitação do Ministério Público.
As três mortes foram desvendadas após a prisão de João Gonçalves, que confessou os crimes, afirmando que foram cometidos para satisfazer a namorada, que só conseguiria sentir prazer quando praticava o ato sexual com homem e mulher simultaneamente. O desaparecimento da jovem Edinete Alves de Sousa, de apenas 15 anos, irmã da acusada, levou a polícia a desencadear o rosário de crimes dos acusados.
Na época da prisão, João afirmou que o casal namorava desde 11 de maio de 2002 e pretendia se casar este ano, e que para satisfazer a namorada, chegou a sugerir que uma prostituta fosse contratada, entretanto ela teria dito que somente poderiam agir assim quando estivessem casados. A escolha de Edinete, ainda segundo o acusado, teria sido feita pela própria irmã que, de pronto, recusou o convite, e depois de obrigá-la a fazer sexo oral, ajudou ativamente na execução dela.
As vítimas seriam executadas para não revelarem o ocorrido durante a relação sexual. Também foram assassinadas pelo casal, após manter relação sexual, Girlene Soares Nascimento e Maria Marta Silva Bezerra. No caso de Girlene, dois policiais militares ainda chegaram a ser acusados e presos pelo crime. Apesar de todas as declarações do namorado, Elizângela Alves negou com veemência qualquer tipo de participação nos crimes, negando também saber que eles aconteciam.