A ética do interesse
O resultado das duas últimas pesquisas do Ibope que dão conta da eleição da senadora Roseana Sarney já no dia 1º de outubro, foi recebida com virulência tanto pelos jornais e emissoras de rádio amilhados, quanto por políticos e outras figurinhas menos votadas. Disseram de tudo. O notório Jornal Pequeno, bem dentro de suas tradições, chegou a estampar em manchete que o resultado divulgado pelo Ibope era caso de polícia.
Em editoriais capciosos, declarações estapafúrdias e contestações descabidas e sem base em qualquer prova, tentaram desqualificar o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística - IBOPE, a mais renomada instituição do ramo, com mais de meio século de existência.
A intenção era uma só: ao desqualificar o Ibope, a turma do governador pretendia mostrar que Roseana estava por trás dos resultados, manipulando os dados da pesquisa. Os discursos bem orquestrados e ensaiados da turma de José Reinaldo não conseguem, entretanto, mudar a opinião do eleitorado.
Para eles, se o resultado é favorável a Roseana é porque foi adulterado. E o Ibope é, na opinião dos apaniguados do governador, um instituto sem credibilidade.
Mas bastou o resultado da pesquisa eleitoral ser favorável ao grupo no poder que a história mudou. Na segunda-feira, o Ibope divulgou o novo resultado da pesquisa para o Senado. E trouxe uma surpresa: o deputado tucano João Castelo ultrapassou o ex-senador Epitácio Cafeteira nessa última rodada. Pronto, foi o suficiente para que o Ibope se transformasse de novo no instituto de maior credibilidade.
O jornal O Imparcial, numa demonstração inequívoca que o nome não traduz fielmente o caráter do matutino, de repente divulgou, em letras garrafais, o resultado da última pesquisa do Ibope para a única vaga ao Senado em nosso estado. Alguma mudança em relação à outra pesquisa? Nenhuma. O jornal dirigido por Pedro Freire continua achando que a pesquisa favorável a Roseana é um engodo, mas a que dá Castelo na frente de Cafeteira é o retrato fiel da idoneidade do instituto.
A verdade é uma só: os dois resultados, tanto o que mostra Roseana na dianteira das pesquisas, quanto o que mostra pequena vantagem de Castelo sobre o ex-senador do PTB são perfeitamente idôneos. O Ibope é e continuará sendo um instituto de grande credibilidade, que não aceitaria manipular números para beneficiar a senadora do PFL. Divulgar dados inconsistentes seria fácil de desmascarar. As milionárias campanhas dos candidatos do governador permitem crer que qualquer um de seus candidatos poderia contratar outro instituto de pesquisa e desmoralizaria o Ibope. Sensus, Datafolha e Econométrica são alguns outros institutos que poderiam demonstrar facilmente se há ou não manipulação dos números.
E porque não o fazem? Simples. Porque já o fizeram, certamente. E os números que eles devem ter são exatamente iguais aos apresentados pelo Ibope. E só por isso eles não os revelam ao público. Ficariam desmoralizados e ajudariam Roseana a alargar a diferença.
O sempre subserviente Jornal Pequeno foi menos "inocente" que O Imparcial e não publicou nenhuma linha sobre a pesquisa para o Senado. Mais argutos que seus sócios na empreitada reinaldista, os Bogéa sacaram que divulgar a pesquisa com estardalhaço seria afogar numa fossa sanitária os argumentos de que o Ibope não tem credibilidade.