CESSAR-FOGO
Israel quer ficar no sul do Líbano
No terceiro dia de cessar-fogo entre as forças de Israel e o grupo terrorista libanês Hizbollah, o chefe do Estado-Maior de Israel, general Dan Halutz, disse ontem que seus soldados devem permanecer do sul do Líbano até a chegada das tropas internacionais comandadas pela ONU, o que deve pôr fim à retirada de parte dos soldados israelenses que invadiram o país durante os confrontos -que duraram mais de um mês.
“Israel permanecerá no sul do Líbano até a chegada da força multinacional, mesmo que isso leve meses”, disse Halutz, em declaração transmitida por rádio.
Na mesma linha, o líder do Hizbollah, xeque Hassan Nasrallah, disse que seus combatentes não interromperão os ataques contra as tropas israelenses que ocupam o sul do Líbano.
ATENTADO
Explosões de carros-bomba em Bagdá
Vinte e duas pessoas morreram ontem em novos atentados em Bagdá, ao mesmo tempo em que a tensão aumentou no sul do Iraque após os confrontos de terça-feira em Karbala entre as forças oficiais e partidários do aiatolá radical xiita Mahmoud al Hassini.
Um carro-bomba explodiu perto de um dos principais terminais rodoviários do centro de Bagdá, matando oito pessoas e deixando 28 feridos.
O terminal próximo ao local da explosão, ponto de saída dos ônibus para o sul da capital, é muito freqüentado pelos xiitas.O atentado ocorreu em meio à mobilização de oficiais adicionais das tropas americanas e iraquianas.
ISRAEL
Manutenção de soldados presos viola resolução
A não libertação dos soldados israelenses seqüestrados no Líbano constitui uma violação da resolução 1.701 da ONU, que permitiu um cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista libanês Hizbollah, afirmou ontem a ministra israelense das Relações Exteriores, Tzipi Livni.
“Devemos assegurar a libertação imediata e incondicional dos reféns israelenses, e o fato de que ainda não tenham sido libertados é uma clara violação da resolução”, declarou Livni. A resolução 1.701 não exige especificamente a libertação, mas destaca a necessidade de remediar as causas que levaram à crise, “obtendo em especial a libertação incondicional dos soldados israelenses seqüestrados” pelo movimento xiita.
CONFLITO
Trégua põe uso da força em questão em Israel
Dois dias depois do início do cessar-fogo no conflito contra o grupo libanês Hezbollah, Israel começa a debater sobre o saldo da guerra.
Segundo pesquisas de opinião, a maioria dos israelenses acha que Israel não alcançou os objetivos estabelecidos pelo governo. Analistas locais descrevem a guerra em termos como "derrota", "fiasco", ou no mínimo "uma série insuportável de falhas".
Nem o primeiro-ministro Ehud Olmert usou a expressão "vitória" quando fez um balanço da guerra perante o Parlamento. Ele se limitou a falar de "ganhos significativos" para Israel com a resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU.
O sentimento de "fracasso" decorre principalmente do fato de que, apesar de toda a força que Israel aplicou contra o Hezbollah, o grupo ter mantido sua capacidade militar. Até o último dia da guerra, a militância xiita continuou lançando foguetes e mísseis contra o norte do país.
As promessas da liderança israelense de "desarmar o Hezbollah" e "eliminar a capacidade do grupo de ameaçar Israel" não se concretizaram.