O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, descartou ontem que tenha cunho político a decisão da Petrobras de adiar por dois meses a solução sobre o preço do gás comprado da Bolívia.
Segundo ele, a Petrobras poderá aumentar os preços do gás, se a YPFB, estatal boliviana que pleiteia ajuste do produto, conseguir convencer a companhia brasileira de que a elevação é justa.
"A posição não é de aceitar, é de negociar dentro do limite razoável... se houver naturalmente uma clareza de que existe o prejuízo da parte do fornecedor, é claro que a Petrobras não agiria de uma forma unilateral", afirmou a jornalistas.
Segundo Rondeau, cabe à Bolívia mostrar que há desequilíbrio no processo. "O problema é que estamos esperando que eles demonstrem isso... a tese da Petrobras é que não há desequilíbrio", explicou, sem saber justificar o motivo da prorrogação do prazo para meados de outubro, após as eleições.
"Não existe nenhum vínculo entre a decisão do preço do gás com as eleições, o que há é a discussão de duas empresas que estão enxergando sob um ponto de vista diferente e não chegaram a um acordo", frisou.
A especulação sobre o adiamento ter como objetivo evitar um aumento de preços em pleno processo eleitoral, o que poderia prejudicar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi reforçada na quinta-feira, quando a Petrobras anunciou a postergação, também por dois meses, de investimentos de 2 bilhões de dólares na Venezuela de Hugo Chávez.