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O pai do juiz



Data de Publicação: 19 de agosto de 2006
 
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Na última terça-feira, uma equipe de jornalistas esteve na Secretaria de Infra-Estrutura - Sinfra, para apurar denúncias da montagem de um novo esquema de roubalheira naquela mal-afamada pasta. Tínhamos a leve esperança de que os métodos pudessem ter mudado, já que no comando da secretaria está o engenheiro Ney Bello, pai do juiz federal Ney Bello Filho.

A simples menção, entretanto, de que havia nos corredores do órgão, uma equipe de Veja Agora detonou um série de agressões contra o livre exercício da profissão dos jornalistas. Logo, um guarda de segurança, bem ao estilo dos jagunços de priscas eras, se postou atrás de nossa equipe, armado com um revólver calibre 38.

Depois, o homem que deveria ser o guardião da legalidade e da moralidade na condução dos processos de licitação, Alexandre Guimarães Rosa, fez graves ameaças aos jornalistas, dizendo que jornalistas independentes acabam assassinados. E deu como exemplo o caso do jornalista da Globo, Tim Lopes, assassinado por traficantes.

O secretário Ney Bello se encontrava no local, a menos de cinco metros de distância dos jornalistas de Veja Agora. Não só se recusou a atender nossa equipe, como mandou o segurança nos dar um recado: era melhor a gente ir embora.

A prática continuava a mesma de antes. A intimidação é ainda a única forma do staff de José Reinaldo se relacionar com a imprensa independente. Ao invés de mostrar que são honestos, o governador e seus assessores se escondem atrás de armas e de jagunços pagos com recursos do erário.

A postura pode demonstrar que ali realmente se trama a continuação da sangria dos cofres públicos. Senão, que outro interesse teria o secretário Ney Bello para determinar a seus servidores que intimidassem jornalistas? Porque esconder o processo de licitação de 280 cartas-convite ao custo de R$ 42 milhões que, supõe-se, servirão para financiar a campanha de políticos corruptos?

A consangüinidade, é indiscutível, não transmitiu ao engenheiro parte dos conhecimentos básicos do jurista. Mas não lhe dá o direito legal de impedir o acesso de jornalistas a órgãos públicos e de divulgar notícias de interesse público. O engenheiro Ney Bello deveria se aconselhar com seu filho magistrado para saber que comete uma ilicitude ao barrar o acesso da imprensa à sua secretaria. Ali, funciona um órgão público, de livre acesso.

Veja Agora vai recorrer à Justiça para ter garantido seu direito de informar e denunciar à opinião pública os crimes que os gestores públicos deste estado cometem contra o dinheiro do povo maranhense.

Ontem, novo episódio mostrou que a Sinfra vive sob a égide de um governo nefasto e, agora, comandada por um novo tiranete. Ao entrar no prédio da Sinfra, nossa equipe voltou a sofrer constrangimento. Seguranças, novamente armados, alegando obedecer ordens do secretário Ney Bello, e na companhia da assessora de Comunicação, Léa Martins, proibiram a entrada de nossa equipe naquele órgão público.

Como se vê, a Sinfra continua a ser um reduto do governo de força implantado no Maranhão pelo governador José Reinaldo e seus acólitos. O que se espera é que não tenha voltado a se transformar no reduto de uma quadrilha organizada, como aconteceu nos tempos do cunhado do governador, João Dominici, e a gangue das estradas fantasmas.

Por enquanto o secretário ainda está livre de ver sua reputação ameaçada, mas ficaremos vigilantes e não daremos trégua àqueles que ousam fazer do Maranhão objeto de apropriação indébita.

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