O rei está só. Comandante da maior trairagem política que se tem notícia no Maranhão, o governador José Reinaldo Tavares é hoje um político sem qualquer referencial. Antes, arroz de festa de todo o noticiário político de nosso estado, José Reinaldo hoje só tem seu nome mencionado quando alguns comunicadores, irritados com o atraso do jabá, o condenam por ser tão parcimonioso com seu secretariado.
O governador - que um dia foi chamado de "meu líder" pelo candidato ao Governo pelo PDT, Jackson Lago - é hoje um homem isolado em seu bunker na casa de veraneio do Governo do Estado, na paradisíaca Praia de São Marcos. Suas aparições públicas são a cada dia mais restritas e se limitam a pequenas solenidades oficiais que, em contrate com o verdadeiro festival de bajulação a que estava acostumado, hoje contam com um número bastante reduzido de assessores, convocados em seus gabinetes, e obrigados a fazer número sob pena de demissão.
Mas há quem, no primeiro escalão, venha tratando o chefe como carta fora do baralho. O secretário de Educação, Lourenço José Tavares Vieira da Silva, por exemplo, anda encantado com sua nova função e só tem olhos para determinados aspectos joviais de seu cargo. Por isso, administra a pasta como se não tivesse chefe. Está demitindo experientes assessores sem atentar para as conseqüências. Até um amigo próximo do governador foi sumariamente demitido.
Mas o governador se ressente mesmo é da falta de apoio dos três candidatos ao governo que ele criou para tentar encobrir o sol com a peneira: ou seja, ele montou um esquema para barrar a volta de Roseana ao governo e fracassou. Os três candidatos não parecem nem de longe ameaçar a trajetória de volta da senadora ao Palácio dos Leões.
Jackson Lago, Aderson Lago e Vidigal precisam desesperadamente do apoio de José Reinaldo para continuar tendo acesso à máquina governista. Por outro lado, não querem atrelar seus nomes a um governador que se mostrou um administrador inepto e um político incapaz de liderar um grupo tão heterogêneo, capaz de tão-somente lutar por seus interesses.
Nas entrevistas, discursos e reuniões com eleitores, nenhuma referência ao "grande líder". O ex-prefeito Jackson Lago, desde o começo da campanha era o candidato preferido do governador para sucedê-lo. Ainda é o candidato aliado do governador com melhor desempenho nas pesquisas, ainda que não consiga sair do mesmo patamar há mais de 6 meses. Sua mulher, a médica Clay Lago, ainda mantém sob seu controle a Secretaria Extraordinária de Solidariedade Humana, a mais poderosa secretaria do governo. Ainda assim são raras as aparições públicas de dra. Clay com seu patrão José Reinaldo. Ela, também, evita ligar a candidatura do marido ao nome do governador, embora o eleitorado saiba que o cordão umbilical entre os dois é suficientemente forte para chegar ao dia 1º de outubro sem arranhões.
O ex-juiz Vidigal, do mesmo partido de José Reinaldo e trazido ao Maranhão como a "grande revelação política" depois de dezenas de anos exilado em Brasília, também segue na mesma direção. Ele prefere ficar mais tempo em Caxias, sua cidade natal, a circular na companhia de José Reinaldo. Com irrisórios 5 por cento das intenções de votos, Vidigal sabe que José Reinaldo não acrescenta nada em termos eleitorais e, por isso, prefere andar só a estar mal acompanhado.
O último candidato a vestir a camisa reinaldista, o tucano Aderson Lago, não só renega que tenha sido uma opção estapafúrdia, como nem sequer aceita ser governista. Durante entrevista a um jornal no último domingo, Aderson não só não fez nenhuma referência a José Reinaldo como ainda se disse de oposição.
É, o rei está só. É esse o destino dos traíras.