Por Jonas Costa
Que é uma ação de despertar o senso das responsabilidades políticas no país, em busca de uma significação mais precisa, mediante um movimento engajado numa transformação radical das estruturas políticas, econômicas e sociais, como uma complementação do processo de conscientização. Para esta transformação, seria necessário mobilizar, como já aconteceu nos anos de 1959-60, a grande massa da população brasileira completamente alienada da vida política nacional, através de uma ação tendente a despertar no povo a consciência de sua dignidade, dos seus direitos e do contraste entre esses direitos e a situação de pobreza, de miséria, de educação, de criminalidade, de injustiça e de impunidade a que está reduzida. Mas que essa luta não seja com a intenção de incutir no povo um modelo voltado para o conflito, ou para obter, pela violência, o objetivo visado, mas sim conduzida com paz e por meio de processos dignos e capazes de politizar, tanto na juventude universitária um idealismo puro, como também no homem o senso de sua dignidade, que é o elemento fundamental de qualquer programa cívico autêntico, desde que isso seja feito com lealdade e disposição de colaborar com o homem e a sua comunidade, para criar condições mais compatíveis com sua dignidade.
Da forma em que se encontra politicamente o país, nesses últimos tempos, com uma democracia inoperante e, inclusive, dominada pela corrupção e a Nação abandonada nas mãos de uma minoria de políticos mais preocupados com seus próprios interesses, do que com a promoção do povo que representam, precisa criar no povo o verdadeiro sentido de prepará-lo para uma escolha consciente e livre de seus líderes, para uma opção esclarecida do sistema político que ora atenta às suas aspirações, que é uma obra de apostolado cívico. Portanto a politização aplicada com relação aos partidos políticos conota a idéia não apenas de disciplina, mas também da consciência das responsabilidades do partido na política nacional.
Isso mostra que continuar fora da orientação filosófica da estrutura política democrática no país é fugir de um ideal a alcançar. É fugir de uma forma elevada - a mais elevada - da convivência humana, porque a democracia é a única que enseja a todos os homens a mesma oportunidade de auto-realização. Entretanto, desse regime onde se prega a liberdade, que é o estado de quem pode agir a seu talante, o abuso tem-lhe sido cruel, porque a cada ano que se escoa aumenta os homens de má-fé e os aproveitadores que tiram fruto dela como meio para conseguir seus desígnios pessoais ou egoístas.
Para finalizar, cumpre-me fixar nesta idéia arrogada, porém exemplar e necessária, uma citação do nosso inesquecível Rui Barbosa: "Todos os direitos que as constituições declaram irrenunciáveis, intangíveis e inalienáveis, se consolidam e consistem num feixe. Mas a liberdade política, da qual a condição prática está no voto, é o liame, que nesse feixe o enlaça a todos, estabelecendo entre eles a união, por onde se conservam e impõem".
Para mim, tudo isso significa dizer que, no exercício do voto, cumpre ter caráter cívico, isto é, a escolha deve recair no candidato que realmente for julgado melhor. O voto por interesse pessoal ou pela perspectiva de vantagem individual, degrada o ato cívico e transforma-o em um mau negócio doméstico.
Errata
Na edição de domingo (30/07), erramos a autoria do referido artigo, sendo o correto Jonas Costa. Por este motivo, estamos reeditando-o e pedindo desculpas aos nossos leitores e ao articulista.