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Paula Tina



Data de Publicação: 20 de agosto de 2006
 
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Juízo final

Ricardinho, meu broto cor-de-rosa, hoje tô de bem com a vida, embora ainda um pouco de ressaca da festa de crisma do Bruno Leone. Foi um show. Senti-me como se estivesse sob o signo do império romano em plena linha do Equador. Mas assim como as campanhas eleitorais, toda ressaca um dia passa. E eu me restauro na poesia do Nauro, tomo um Atroveran pra curar a dor de cabeça e depois zarpo com minha nau de urano pelo mundo. E todo o mundo sabe que não sou eu quem me navega. Quem me navega é o mar do Maranhão, pelo menos por enquanto. Sou sim, fofóide, uma mulher em ebulição, que não se conforma com a fôrma que tentam impor a seus pés. Todas as manhãs Balzac sussurra nos meus ouvidos que a resignação é um suicídio cotidiano. E eu, pós-balzaquiana assumida, me revolto! E assim sigo acreditando, dia após dia, que o sol há de brilhar mais uma vez e que a luz há de chegar aos corações. Como o sol, a loucura tem a sua órbita, e eu transito de um canto a outro do sistema solar levando o meu sorriso e o charme do meu novo penteado.

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E tá todo o mundo comentando na cidade sobre a nova foto que ilustra minha coluna no jornal Veja Agora. E não é pra menos. O Ricardinho apostou alto no meu passe e, apesar das queixas ligeiramente enciumadas da Teresa, garantiu uma produção de fina estampa para o meu novo visual. E vou revelar tudo aos leitores. A maquiagem foi feita pelo global Edílson Ferreira. O toque no cabelo ficou por conta do Décio Delamano, que realçou os cachos e deu brilho e movimento com uma leve aplicação de Kerastase. A sessão de fotos com o Meireles Júnior eu fiz na varanda da casa do Eduardo Lago. Foi um dia inteiro de flashes e poses. Uma canseira!

Ah, informo aos leitores que a coluna da Paula Tina também já pode ser acessada no site do Veja Agora (www.jornalvejaagora.com.br).

Concorrência
E o chato disso tudo é que os meus cabelos estão brilhando mais que a minha capacidade intelectual, segundo alertou-me outro dia o Jorginho Murad. Ele argumenta que o cabelo rouba a cena da coluna. Aí eu fiquei passada com ele! E tudo o que ressalta quer me ver chorar. Então eu, já quase soluçando, perguntei pra ele: "E o Godão? Será que o cabelo dele também brilha mais que o Boi Barrica inteiro?". Jorginho calou, pegou um charuto do bolso e mais não disse sobre o assunto.

Preparada
Minha caixa postal tá entupida de mensagens com comentários sobre a minha nova foto da coluna. Da Lenita Belo, recebi o seguinte torpedo: "Paula, ficaste mais madura na foto. Lembre-se sempre: as maduras que se cuidam não apodrecem jamais!". Fiquei comovida. Do empresário Luís Carlos Fernandes, do município de Cantanhede, recebi comentário lacônico: "Bela guaribada!". Márcio Assub escreveu pedindo o endereço do meu cabeleireiro. Fernando Sarney mandou recado pelo Lan-Lan me convidando pra escrever no jornal O Estado. Ele acha que, pela foto, eu já tô no ponto... Soube ainda que Cecília Leite falou cobras e lagartos a meu respeito pra rapidíssima Dadá Coelha. Gentilmente, Zé Jorge pediu-me pra não passar recibo: "É só uma fase, Paula. Ela anda enciumada com o teu novo corte de cabelo".

Argumento
E por falar em caixa postal, quem me enviou e-mail esta semana foi o poeta Alex Brasília. O fofo da Academia usou de metáfora pra explicar os motivos que o levaram a publicar o badalado artigo sobre Roseana. Confiram o teor do poema Dois mil e sete com o qual ele quis provar por A+B que estava coberto de razão:

"Na praia cismo da ostra

No poema eu sofismo

Só não posso ficar calado

Esperando o ostracismo"

Dentro de casa
Gente, eu não agüento mais essa coisa de "peço licença para entrar em sua casa". Até porque quando o sujeito diz isso ele já está lá dentro, enfiado até o talo na tela do meu aparelho de TV. O Manu Ribeiro já me pegou só de calcinha creme lá em casa e o Não Sousa entrou quando eu saboreava um pé de galinha. Tive até que tirar minha miniplasma do banheiro para que ninguém me surpreendesse filosofando. Meu medo é qualquer hora dessas o Edivaldo Holanda Pai, que também está na tela da TV, me pegar com a boca na botija do Júnior. Eu me sentiria uma mulher morta... morta de vergonha.

Olhar 43
Aí vem o Jomar Fernandes e eu não sei se ele me fita nos olhos ou se brecha o meu umbigo. É que o fofo do PT tem um olho sempre a boiar e outro que agita. Ele diz com todas as letras: "Fui prefeito de Imperatriz e ninguém consegue APAGAR minha obra". Só acho que ele trocou o verbo. Não seria PAGAR, meu olharzinho transverso? As contas estão lá, o Ildão é choradeira e o Ministério Público exercendo sua petista tolerância mil.

Na mira
Será que alguém ainda consegue lembrar do professor Gavião, aquele que rivalizava com o professor Pardal? Pois é só ver o epistolar Zé Não Vieira Nem Beira na TV e pronto. É a cara um do outro. E tal como no gibi de Walt Disney, dizem que é o bacabalense também é nó cego.

Cegos do Castelo
A primeira semana de campanha na TV dá na gente a sensação de que o engov Carneiro vive o drama do pai com doença contagiosa que tem três filhos ingratos. Nenhum dos três assume a filiação e todos falam horrores das estradas que se acabaram nas mãos do Carneiro. A coisa em si chega ao ponto de um deles, o Vidy Gal, dizer no Uol que até agora só visitou 80 municípios porque as estradas do Maranhão "estão horríveis e acabadas". Pode? Por essas e outras é que a política me faz acreditar que eu já não moro mais em mim.

É assim que se fala (1)...
"Façam o jogo! Convento ou sem vento nas Mercês, vou subir na mesa mais que o Jaquisson e Vidy Gal", de Ader$inho, o monstro do Lago...

"Culpa do Zé Carneiro se vivo remoendo cuxá enferrujado", de Zé Machadinho, assessor vira-folha do Bloco Zé Pequeno...


"Nem Tarzan entraria em palácio onde um pobre carneiro alimenta leões selvagens e leoa silvestre", do engov enjaulado em medo...

"A leoa é silvestre porque o pastor que a cerca pula a cerca para contar carneirinhos", da leonina czarina ferina dos Leões...

"Foi indescritível constatar a minha subida eleitoral nas escadas rolantes dos shoppings paulistas", de Vidy Gal, o candidato dos acidentes de campanha...

"Quando eleito, vou plantar erva-daninhas no meu jardim de gasdeninhas", do candidato químico John Faber Castell...

"Se papai foi a bom preço, quero lançar-me pelo menor preço", da candidata à flor da pele Gás Denha...

"O rótulo novo da assembléia velha nunca me desceu redondo", do deputado Wilson Envelhecido em Barris de Carvalho...

"A relação de realizações irrealizadas do governo é muito magrinha. Nem mandei colocar o nosso milharal de obras de caridade", do secretário infracitado Nei Bello & Lindo...

"Com a estranha cegueira do Luiz Pedro Malazarte, vou esconder meus ossos no hospital da família", do deputado Domingo Saco das Almas...

"Não poderia falsificar a assinatura em rubrica que era minha", do secretário e agrônomo da Educação Vieira da Silva, o Moço...

"Um dia de madrugada ainda fumo o tal do fog londrinho", da ex-ama de leite Eriquinha Pocotó, do seu exílio na terra do Xeique Pi...

"A educação inglesa é uma bomba e não resiste a um calotezinho no metrô", do ex-piloto de raves Pikê-mon, entediado com o ócio criativo da Escote & Arde...

Grandes jogadas 1
Em meio ao breu que tomou conta do governo, há quem consiga enxergar tudo "verde e rosa" na secretaria de obras de papel do Nei Belo & Lindo. Com Otávio Rosa na chefia de gabinete e Alexandre Rosa na licitação, resta ao secretário rearrumar o sorriso verde e o suspensório a cada pedido dos prefeitos por convênios de campanha. "Entre autorização, liberação e comissão, o caminho da verba é longo, cheio de curvas e precipícios. Dos trezentos mil prometidos, tive de me contentar com cinqüenta", relatava prefeito a colegas durante almoço do FPM.

Grandes jogadas 2
O candidato Ader$inho, o Mostro do Lago, promete novíssima interpelação judicial contra a Rose. Ao saber que a candidata ao governo pretende criar o "Viva Água" quando eleita, perdeu-se em esguicho de impropérios: "Quem ela pensa que é? Quem pariu o Viva Água e se batizou nele fui eu!...", rugiu, empunhando mangueira e canastra...

Grandes jogadas 3
A deputada-promotora-jornalista-pensionista Helena Hilux pilota a campanha à reeleição em plataforma simples: de cima de uma frota de cabines duplas novas... "Metade veio da cara-metade do meu trabalho parlamentar. A outra metade é metade socialista", jura e esconde os dedos... Para desespero do Vidy Gal...

Sem freio
A Paula Tina quase engata ré dupla com o que leu e viu no almanaque do Zé Amarelão em domingo recente... "Curso para condução de veículos de tração animal", abaixo do título enorme as fotos de campanha do Ader$inho, o Monstro do Lago, e da Ceiça Andróide... Por falar na Ceiça, os morcegos hematófagos de Turiaçu querem saber por onde anda a ex-secretaria da cultura agrícola muito familiar... "Será que ela ainda planta casos no rastro do Carneiro?...", quis saber emissário da colônia...

Que horror!
Impressiona o número de candidatos que fala sem o menor pudor em "mudar a postura"... A Paula Tina morre de medo de que venham a pôr ovos em público antes da muda completa...

DIÁLOGOS IMPERTINENTES - Parte 4

London, London.

O telefone toca e Carol Çá atende. Do outro lado da linha há uma voz familiar. É Eriquinha Pocotó, de Londres, querendo saber das novidades do Maranhão. As duas conversam sobre quase tudo: eleições, ICBEU, delegada e o novo amor de Xandra. O telefonema foi grampeado pelos sofisticados equipamentos da Abinzinha dos Leões. Confira trechos de uma cópia pirata do diálogo, que caiu nas mãos da Paula Tina.

Eriquinha Pocotó: Ei, amiga, estou ligando pra saber como estão as coisas aí no nosso Meiranhon...

Carol Çá: Quem tá falando, por favor?

Eriquinha Pocotó: Ora, quem! Eriquinha, Eriquinha Pocotó, darling! Não reconhece mais a minha voz ou o meu sotaque inglês já tá muito carregado?

Carol Çá: Desculpe, Pocotó, é que realmente não reconheci a tua voz. Que bom falar contigo de novo. Chegaste quando?

Eriquinha Pocotó: Se liga, big head! Eu ainda não cheguei de onde um dia parti. Continuo aqui em Londres aprimorando o meu inglês. E eu não posso falar muito porque essa ligação internacional vai custar os olhos da cara, e o Pikê-mon me mata...

Carol Çá: Poxa, Pocotó, estamos todas com saudades...

Eriquinha Pocotó: Em breve voltarei, honey, quando as coisas estiverem mais calmas por aí...

Carol Çá: E vocês estão vivendo de quê aí em Londres?

Eriquinha Pocotó: Das economias do Pikê-mon, amiga. Ele ralou muito aí nos tempos áureos do governo das Nossas Conquistas.

Carol Çá: Ele deve tá adorando, afinal Londres é o paraíso das raves...

Eriquinha Pocotó: Mas aqui rave não dá tanto dinheiro como aí, onde ganhamos mundos e fundos.

Carol Çá: Ah, isso é verdade.

Eriquinha Pocotó: Vai, amiga, me fala mais do nosso Meiranhon...

Carol Çá: Tu queres dizer Ma-ra-nhão, não é isso? Ah, o estado está em petição de miséria. A propósito, amiga, aprendi no ICBEU que os nomes próprios não são traduzidos para o inglês. Portanto, fale Maranhão mesmo e não Meiranhon.

Eriquinha Pocotó: Bobagem, Carol, aqui todo o mundo traduz tudo. E eu sei disso desde os tempos em que estudava no John Kennedy Center. It's ok?

Carol Çá: Pois, como eu ia te dizendo, a coisa tá feia. O nosso líder lançou três candidatos ao governo e os coitados não conseguem levantar... Nas pesquisas, claro!

Eriquinha Pocotó: Se o teimoso do Carneiro pelo menos ouvisse os conselhos da nossa eterna abelha-rainha Xandra...

Carol Çá: Mas nós sabemos, Pocotó, que as coisas chegaram aonde chegaram graças aos conselhos da Xandra. Hoje, o Carneiro está preso à cela de uma delegada tirana.

Eriquinha Pocotó: E o Carneiro não tem um advogado pra entrar com um habeas corpus?

Carol Çá: Não é bem isso, Pocotó. Carneiro tá preso no sentido figurado.

Eriquinha Pocotó: E a nossa Xandra também tá presa nesse tal sentido figurado?

Carol Çá: Completamente encarcerada dentro da própria mansão, em Brasília. Eu também, no lugar dela, teria mil motivos pra ficar presa dentro de casa. Com um homem daqueles, qualquer uma...

Eriquinha Pocotó: E quem é o tal figurado dela?

Carol Çá: Ah, é o Magno. Ele já está dentro do Orkut dela, criatura. Ela assumiu publicamente.

Eriquinha Pocotó: Meu Deus, e o Carneiro?

Carol Çá: Por enquanto tá calado. Mas já comentou na casa do Mauro que vai suspender a pensão, que nem ele fez com o Reinaldinho Gaúcho, lembra?

Eriquinha Pocotó: É o fim da picada! I'm sorry, querida, mas vou desligar. A nossa conta vem em euro. Posso te ligar a cobrar?

Carol Çá: Não, Pocotó, pelo amor de Deus...

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