O deputado Sarney Filho (PV-MA) defendeu ontem, durante o ato em defesa do voto aberto, que "a fiscalização da sociedade é a única maneira de promover a justiça no Congresso Nacional e de depurar aqueles que estão com a sua vida pública manchada pela indignidade". Sarney Filho afirmou que quando chega aos municípios de sua base eleitoral, e debate com a militância do PV, as pessoas ressaltam o fato de seu nome não estar em nenhuma das falcatruas no Parlamento. "Isso virou um diferencial. Ao invés de estar prejudicando os deputados sérios, esses casos têm-nos favorecido e somos citados como exemplos", observou Sarney Filho.
O deputado lembrou que até pouco tempo era contra o fim do escrutínio secreto para a cassação de colegas. "Entendia que o voto aberto poderia gerar pressões indevidas, mas, depois de tudo o que aconteceu nesta legislatura, mudei o meu modo de pensar e sou um ardoroso defensor dessa tese", reforçou o parlamentar.
"Tenho sentido que a questão ética está presente em todas as classes sociais, em todos os fóruns de discussões. Então, creio que, assim como ocorre no Maranhão, esta questão esteja presente também nos outros estados", prosseguiu.
Sarney Filho afirmou, ainda, que ao longo desses anos, participou alguns momentos decisivos da Casa.
"Recordo-me muito bem quando houve a votação de eleições diretas para presidente da República. Eu já era deputado, e o meu partido, na época o PFL, era contra as Diretas por entender que a distensão deveria ser gradual e consentida. No entanto, posicionei-me contra o meu partido e votei a favor das Diretas. Pude sentir o quanto é dolorido para um parlamentar da Câmara dos Deputados contrariar grande parte dos seus pares, principalmente os membros do seu partido, mas naquele período eu tinha a visão de que aquilo era importante para o Brasil; tratava-se de um clamor popular que significava a esperança de dias melhores para o povo brasileiro", disse o deputado.
Sarney Filho recordou que a proposta foi derrotada na ocasião, mas que "ficou a semente, para que no futuro as eleições diretas fossem implantadas".
"Hoje esta sessão, como foi naquela época, de certa forma mostra uma semente que vamos plantar, dessa vez, para fazer com que a clareira aberta pela corrupção, pelos sanguessugas seja encoberta pelo verde da esperança de dias melhores", concluiu o deputado.