Em resposta ao atraso provocado pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nos processos de cassação dos três senadores envolvidos na máfia das ambulâncias, o Conselho de Ética da Casa aprovou ontem, por unanimidade, o retorno imediato dos processos à Mesa Diretora da Casa.
A decisão do Conselho obriga a Mesa Diretora a decidir sobre a instalação dos processos e, posteriormente, reenviar os três casos para análise do Conselho de Ética.
A polêmica teve início quando o presidente do Senado decidiu encaminhar os processos ao Conselho como denúncias, e não como representações - o que na prática obriga que os processos a retornem à Mesa antes de serem instalados.
A sugestão para o encaminhamento imediato dos processos à Mesa Diretora foi apresentada pelo vice-presidente do Conselho, senador Demóstenes Torres (PFL-GO). Segundo ele, o argumento apresentado por Renan de que os senadores precisavam apresentar defesa antes do início dos processos não procede.
"Fazer uma nova investigação agora, antes do Conselho, é chover no molhado. Nós não podíamos entender que um senador não pode ser investigado", disse Torres.
O senador afirmou que não teme, agora, demora na análise dos processos pela Mesa Diretora. "A Mesa está pressionada pela decisão que tomamos. Conversei hoje com o senador Renan e ele disse que agiria imediatamente", afirmou.