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Megaoperação da Polícia Federal sacode a Região Tocantina



Data de Publicação: 24 de agosto de 2006
 
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Itamargarethe Corrêa Lima
Da Editoria de Polícia


Em uma megaoperação desencadeada desde as 4h da manhã de ontem, mais de 400 policiais federais de nove diferentes estados do país, literalmente, sacudiram a Região Tocantina, mas precisamente a cidade de Imperatriz, para cumprir 70 mandados de prisão, sendo 25 preventivos e 45 temporários, além de 82 mandados de busca e apreensão em diferentes empresas da região, expedidos pela Justiça Federal de Imperatriz.

De acordo com informações do delegado federal Pedro Roberto Meirelles Lopes, a intitulada "Operação Galáticos" tem o objetivo de prender criminosos conhecidos como "hackers", que retiravam dinheiro de contas bancárias de pessoas de Imperatriz e cidades próximas.

A investigação, que iniciou em dezembro de 2004, mas somente em janeiro desde ano foi direcionada para a Região Tocantina, descobriu que integrantes da quadrilha utilizavam programas do tipo "Spyware" para capturar senhas bancárias de correntistas de vários bancos, principalmente a Caixa Econômica Federal.

Estes programas eram disseminados através de e-mails (spam) com mensagens falsas (da Receita Federal e do Serasa, por exemplo), e também em sites de relacionamento como o Orkut. Neste último caso, a vítima recebia mensagem com link que indicava que haveria uma foto da pessoa "clique aqui para ver a sua foto", e o programa espião era então instalado. Além da PF, o Exército também ajudou na operação.

Cerca de 20 grandes empresas de Imperatriz participavam do esquema. Elas recebiam parte dos valores desviados por meio da emissão de boletos bancários falsos e pelo sistema de pagamento on-line. Até o fechamento da nossa edição, mais de 67 mandados de prisão e todos de busca e apreensão já haviam sido cumpridos até o final da tarde.

Nas empresas, entre elas, postos de combustíveis, assim como nas lan house, centenas de computadores e documentos foram apreendidos. A grande maioria dos presos, de classe média e média alta, foi encaminhada para sede da PF, onde permanecia sendo interrogada. Dentre os presos, Arley Barbosa Gonzaga e a acadêmica de Direito, Thaise Araújo Ribeiro, esta última proprietária de quatro carros de luxo, seriam apontados como os líderes da quadrilha.

Pessoas que também emprestavam nomes e contas, os famosos "laranjas", também foram presos. O montante desviado pela quadrilha não foi revelado, mas estima-se que ultrapasse a casa de dois milhões de reais. Os presos, de acordo com informações do delegado, durante a operação serão indiciados pelos crimes de furto mediante fraude, formação de quadrilha, violação de sigilo bancário, interceptação telemática ilegal e lavagem de dinheiro.

A missão foi batizada em razão dos investigados se auto-intitularem como "Galáticos", as "estrelas" da cidade, fazendo uma referência aos jogadores do time de futebol do Real Madri, na Espanha, que são assim mundialmente conhecidos. Os criminosos se consideravam "estrelas" por acreditarem que nunca seriam presos. Prova disso era a forma em que ostentavam os bens adquiridos de forma ilícita. Alguns dos presos, após depoimento, foram transferidos em um ônibus para a Penitenciária no Tocantins. Todo o trabalho foi coordenado, pessoalmente, pelo superintendente da PF no Maranhão, delegado Gustavo Ferraz Gominho.

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