O governador José Reinaldo é insaciável quando o assunto é desviar dinheiro do povo do Maranhão para financiar as campanhas políticas de seus apaniguados e aderentes. Um novo projeto que visa a açular o apetite voraz dos seus protegidos pelo dinheiro público está em pleno andamento. José Reinaldo, contrariando a Legislação Eleitoral e afrontando de forma desqualificada o Tribunal Regional Eleitoral, mandou a mesma Secretaria de Infra-Estrutura, notória pelas falcatruas das estradas fantasmas e hoje ocupada pelo pai de um juiz federal, proceder da realização de licitações de cerca de 280 cartas-convite para obras em municípios administrados pelo seu séqüito de bajuladores e cúmplices.
A existência das cartas-convite foi denunciada a Veja Agora por empresários do setor e confirmada pelo chefe da Comissão Setorial de Licitação, Alexandre Rosa de Carvalho, que adota o pseudônimo de Alexandre Guimarães Rosa, e que também confessou a Veja Agora que estava no cargo a pedido do filho do secretário Ney Bello.
Pois é ele quem é o responsável pela montagem do novo esquema que, se não for rapidamente proibido pela Justiça, pode causar um novo prejuízo de quase R$ 50 milhões aos cofres do estado.
A lei eleitoral proíbe que um ente público - aqui, o Governo do Maranhão -, promova intervenções de caráter administrativo em unidades administrativas independentes - no caso as prefeituras -, para realizar obras de cunho eleitoreiro. O governador, criminosamente, usa a Sinfra e seus acólitos para afrontar a lei e tentar perpetuar um governo marcado pela mancha indelével da corrupção.
A realização de licitação com cartas-convite, que podem atingir, cada uma, o valor de cento e cinqüenta mil reais, é vedada por lei no período de três meses que antecede o período eleitoral. Além de estar sendo feita num período vedado pela legislação, a ação do governador se configura uma interferência indevida no processo eleitoral e atrapalha o equilíbrio da disputa eleitoral.
A lei só permite o pagamento de obras pré-existentes ao período eleitoral e que já tenha sido feito pelo menos um pagamento anterior. De outra forma, a conduta do governador, endossada pelo secretário Ney Bello é ilegal, imoral e representa grave ofensa à Legislação Eleitoral, que será de pronto rechaçada por todos os partidos que não integram a aliança tripartite que recebe as bênçãos palacianas.
A imoralidade da realização de licitação na modalidade carta-convite beira a insanidade. O governador José Reinaldo e sua quadrilha tentam se apossar do dinheiro do povo, num gesto de desespero, para tentar reverter um quadro que se configura definitivo, que é a vitória da senadora Roseana no próximo dia 1º de outubro. O chefe da Frente da Traição desrespeita a lei eleitoral, denota desprezo pelos magistrados que compõem o Tribunal Regional Eleitoral e usa do seu poder de mando para implantar um sistema de apropriação indébita do dinheiro do povo maranhense em benefício de uma minoria que apostou suas fichas em uma aventura que eles sabiam que só teriam alguma chance de se dar bem se fossem pungando o dinheiro público.
O novo golpe pretendido por José Reinaldo tem tudo para se tornar um novo motivo de dor de cabeça para o governador. Mas isso não deve incomodar o chefe do Executivo, afinal, ele já teve tanta coisa na cabeça com que se preocupar e sempre tirou de letra, que ele pode até julgar que a impunidade é algo certo e líquido.
Não é. Todos os partidos que não concordam com essa patifaria vão se unir e pedir ao TRE que proceda de forma enérgica, impedindo a concretização de mais essa roubalheira.