Alvo de escândalos na eleição municipal passada, conforme denúncias feitas por Ricardo Murad, a Coliseu volta a ser o centro de novas acusações, onde até jogadores de futebol estariam recebendo salários pela companhia. As relações suspeitas entre o presidente da Coliseu, Jandir Amim Castro, o irmão dele, deputado Julião Amim (PDT) e os filhos, amigos e sobrinhos do parlamentar voltaram à tona, esta semana, depois que um ex-funcionário da Companhia de Limpeza e Serviços Urbanos denunciou a Veja Agora o que pode ser um grandioso esquema de financiamento ilícito da campanha do pedetista. Ele disputa uma vaga para a Câmara Federal.
De acordo com a denúncia, a Coliseu seria o "Caixa 2" da campanha e a instituição de uma grandiosa rede de relacionamentos teria sido montada para manter o apoio financeiro ao deputado.
"A Coliseu é uma máquina de dinheiro, a patrocinadora oficial da campanha a deputado federal de Julião Amim, ou seja, é o Caixa 2", denunciou nossa fonte, completando que o fato de o presidente ser irmão do deputado estaria facilitando o acesso aos recursos.
Nepotismo em alta
Mas as relações não terminam por aí. O ex-funcionário acrescentou, ainda, que os filhos do presidente e do deputado são os grandes beneficiários no que se refere à contratação de empresas prestadoras de serviços. "As empresas que prestam serviços para Coliseu, com caçambas, máquinas, tratores, carros, e tudo mais, são dos filhos do Presidente, e do filho do Deputado Julião Amim", disse, alertando para o fato de que podem ser eles mesmos os maiores doadores de campanha, numa reação em cadeia que, mais uma vez, beneficiaria ilegalmente o pedetista.
Além disso, os mesmos filhos e mais, sobrinhos, esposas destes e daqueles, e dos irmãos Amin estão todos na folha de pagamento da Coliseu. "E não é só isso, não. As secretárias são as noras do presidente, o chefe da Assessoria Jurídica é o sobrinho e os assessores sobrinhos e amigos e filhos de amigo do Jandir Castro e do Julião Amim; os chefes de setores são esposas de amigos e amigos particulares do deputado e de sua família", completou, cobrando o cumprimento da Lei anti-nepotismo.
"O engraçado é que você olha para esta família de políticos, advogados, administradores, ex-juiz do trabalho, pedagogos, médicos, servidores do TRE, da Procuradoria de Justiça, do Tribunal de Justiça, contadores, assessores de deputados e, em vez de primar pela integridade, pela moral, pela ética fazem o contrário. Cadê a Lei do Nepotismo, cadê o Tribunal Regional Eleitoral, o Ministério Público, a Procuradoria da Justiça, a Polícia Federal, o Tribunal de Justiça, a Secretaria de Segurança Pública, a própria Comissão de Ética da Assembléia Legislativa?", finalizou.
O deputado foi procurado por nossa equipe de reportagem para comentar a denúncia, mas não foi encontrado por telefone.