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Todos zombam



Data de Publicação: 27 de agosto de 2006
 
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O empresário e suplente de senador Edison Lobão Filho, dono do Sistema Difusora de Televisão, deu o tom do sentimento da classe empresarial em relação ao governador José Reinaldo Tavares. Edinho Lobão disse cobras e lagartos do chefe do Executivo e o acusou duramente de comandar uma rede de políticos que subtraem dinheiro do povo, tanto no setor de obras públicas quanto através da Secretaria de Comunicação.

Forjado na política pelo senador José Sarney, José Reinaldo sempre esteve ligado à área da construção civil, sendo, inclusive, por escolha pessoal do próprio Sarney, ministro dos Transportes.

A denúncia de Edinho Lobão, ele mesmo um empresário de vulto no setor de construção, mostra o nível de desconfiança da classe empresarial em relação ao governador. Até mesmo os empresários que ainda mantém algum tipo de negócio com o Governo do Estado dizem nos bastidores que José Reinaldo foi um dos piores administradores para a indústria da construção civil.

E é a expressão da mais absoluta verdade. Os empresários associados ao sindicato que reúne boa parte dos pesos pesados do setor demonstram desprezo pelo governador e pela forma com que conduz os processos licitatórios na Secretaria de Infra-Estrutura do Estado.

A situação chegou a um nível de deteriorização que eles nem sequer têm participado das últimas concorrências. Muitos sabem que José Reinaldo não terá mais tempo hábil para fazer o pagamento das medições das obras. Outros acreditam que participar de licitação no atual governo é malhar em ferro frio. As licitações são um jogo de cartas marcadas onde cada deputado, prefeito ou aliado de José Reinaldo é aquinhoado com uma licitação e embolsa o dinheiro do povo mesmo sem entregar a obra.

Dois casos ilustram perfeitamente essas situações. Primeiro, o caso da licitação para a ampliação do Porto do Itaqui. A concorrência foi montada de forma a impedir que a classe empresarial maranhense pudesse concorrer. Há uma denúncia de que essa mesma licitação estaria superfaturada em R$ 26 milhões. A forma como foi montada a licitação causou profunda irritação aos empresários.

O segundo caso é também escabroso. As 300 cartas-convite que o secretário Ney Belo fez circular a mando de seu chefe para desviar dinheiro público e alimentar a anárquica tríade de candidatos que se aboletam nos cofres do estado, sangrando o dinheiro público, servem apenas como motivo de chacota entre os empreiteiros. Ninguém quer participar desse tipo de licitação, porque sabe que é um caso perdido. Todos os vencedores dessa concorrência já estão determinados por antecipação. Há casos que sintetizam o escândalo. Codó, por exemplo, foi beneficiada com 26 cartas-convite. Em troca do apoio do deputado Camilo Figueiredo, denunciado pela CPI do Abuso Sexual de Menores por prática de crime contra duas jovens, José Reinaldo diz que vai realizar 28 intervenções naquele município. Ou seja, ao preço máximo de R$ 150 mil para cada carta-convite, os aliados de José Reinaldo vão embolsar só em Codó 4 milhões e duzentos mil reais.

Além do descrédito, José Reinaldo é motivo de zombaria na classe empresarial. A indignação de Edinho Lobão mostra que a desmoralização pela forma com que José Reinaldo conduz os negócios do estado, também se alastra por outros setores. O que dão um alento são os resultados da pesquisas. Afinal, esse drama está perto do fim.

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