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Prejuízos levam traficantes a fazer ameaça declarada ao coronel Melo



Data de Publicação: 29 de agosto de 2006
 
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REPRESÁLIA
Bandidos querem se vingar de autoridade policial

Uma ameaça feita às 4h04 do último sábado ao Centro de Operações Policiais, que acabou vazando e chegando ao conhecimento da imprensa, direcionada para o comandante do Policiamento Metropolitano, coronel Francisco Melo, acabou caindo como uma bomba durante todo o dia de ontem na capital maranhense. Por telefone, o oficial confirmou a informação, e disse que os Serviços de Inteligência das Polícias Civil e Militar já estão trabalhando para identificar de onde partiu a ameaça.

"Não vou recuar, tenham certeza disso. Não desacredito, mexer com o tráfico não é fácil, mas isso não me abala e, em hipótese alguma, me fará deixar de trabalhar", afirmou o coronel. Segundo ele, o orelhão de nº 32218138 foi o usado para fazer a ligação, cujo endereço de instalação fica na Rua João Evangelista, no Bairro Macaúba.

O oficial contou ainda que quando a telefonista do CIOPs atendeu a ligação, a pessoa do outro lado da linha disse o seguinte: "avisa para o coronel Melo que o presente dele ta chegando de Imperatriz". Sem entender o que estava acontecendo, a atendente pediu que a frase fosse repetida, momento que o desconhecido acrescentou: "aquilo que aconteceu no Barreto foi só uma brincadeirinha que fiz com ele".

Mais uma vez, a jovem pediu que a pessoa repetisse o que já havia falado e, este, por sua vez, repetiu: "avisa para o coronel Melo que o presente dele ta chegando de Imperatriz, ou melhor, já chegou, acabou de chegar", disse. Antes de desligar, o homem ainda teria desejado bom dia para a atendente.

Como as ligações para o CIOPs, por questão de segurança, são identificadas através de equipamento especial, de imediato, o número do orelhão e o local onde está instalado foram localizados. A gravação com o teor do telefonema também foi repassada para o coronel Melo que, em seguida, comunicou o ocorrido para o comandante Geral da PM, coronel Pinheiro Filho, e o secretário de Segurança, Raimundo Marques.

Investigação
Apesar da investigação ainda está em andamento, a polícia trabalha com duas vertentes, ambas, coincidentemente, envolvendo pessoas ligadas com o tráfico de drogas no Barreto. A primeira, de acordo com informações da polícia, estaria relacionada com o prejuízo da operação desencadeada pelo CPM há mais de 10 dias no bairro, que permanece desde então ocupado por homens do Batalhão de Missões Especiais - BME.

Diariamente, os chamados "cabeças" do tráfico estariam tendo um prejuízo diário de R$ 50 mil, já que a presença da polícia acaba inibindo a comercialização ilegal de droga. A outra hipótese trabalhada pela polícia estaria relacionada com uma revista feita horas antes do telefonema ameaçador, também no Bairro Barreto.

Com base em uma denúncia anônima, dando conta que Magno Mendonça Duarte, o "Diabo Louro", que é paraplégico, mas apontado pela polícia como o "cabeça" do tráfico atualmente no bairro, estaria andando armado, o coronel determinou que ele fosse revistado, ao ponto de ser retirado da cadeira de rodas, o que teria provocou a ira dele e dos comparsas.

"Brincadeirinha"
Além de ter como objetivo o combate ao tráfico de droga, a ocupação do Barreto por parte da PM é uma resposta ao ataque ocorrido na tarde de quinta-feira (17), na Avenida do Contorno, naquele bairro. Durante uma incursão do Esquadrão Águia (motos) do BME, dois soldados foram agredidos por um grupo formado com cerca de 20 homens. O grupo, em maior número, ainda danificou uma das motos, furando o pneu, quebrando algumas peças e, ainda, ameaçando atear fogo no veículo. Os soldados Silvestre e Alexandre foram agredidos, tendo o último, inclusive, saído com o braço quebrado. A situação só não foi pior, porque um terceiro soldado sacou a pistola e ameaçou atirar, em seguida, solicitou reforço.

Desde aquele dia, várias pessoas já foram detidas e encaminhadas para o 3º DP, na Radional. Nas estreitas ruas do bairro, comenta-se que os responsáveis pela agressão aos policiais estariam ameaçados, tendo em vista a reação não esperada, por parte da polícia, estaria causando muitos prejuízos aos chamados "cabeças". Quanto à permanência da PM no bairro, o coronel Melo ratificou que ficará como está por tempo indeterminado. "Pode não ser dessa vez, mas iremos diminuir a incidência dessa ação criminosa que destrói centenas e centenas de famílias", finalizou.

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