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A vulgaridade encenada



Data de Publicação: 3 de agosto de 2006
 
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Foi uma bem orquestrada ação, mas a tentativa de atrelar o nome do senador José Sarney ao esquema da compra superfaturada de ambulâncias não encontrou receptividade entre a chama grande imprensa do Brasil. E por razões bem simples: ninguém, em sã consciência, pode acreditar que o senador José Sarney, que já foi presidente da República e nunca se viu envolvido em nenhum escândalo, possa ter se envolvido com empresários inescrupulosos.

O único jornal a publicar a matéria insinuando o suposto envolvimento de Sarney com a máfia dos sanguessugas foi o "O Estado de São Paulo". Nenhum outro jornal deu uma única linha do que foi publicado pelo "Estadão". E por uma razão fácil de entender. O Estadão é concorrente da Folha de São Paulo, o maior e mais lido diário do Brasil. Há uma briga intestina entre os dois jornalões por espaço dentro de São Paulo. O senador José Sarney, escritor respeitado e político dos mais influentes em Brasília, é autor de uma coluna semanal, publicada às sextas-feiras, pela Folha de São Paulo, onde ele disserta sobre economia, política internacional e cultura com a mesma naturalidade com que fala do seu cotidiano de parlamentar brilhante e respeitado.

O alvo, portanto, não era Sarney, mas a Folha de São Paulo, concorrente de O Estado de São Paulo. Vincular o nome do ex-presidente Sarney à máfia com origem em Mato Grosso é mais uma tentativa de atingir um concorrente comercial.

Além do jornal paulista, nenhum outro veículo de expressão se incomodou em abraçar o tema, seja em seu noticiário ou em editorial. Nem mesmo o Diário de São Paulo, que tem a segunda maior tiragem da capital paulista e pertence ao grupo O Globo, se interessou em dar amplitude à notícia plantada em O Estadão.

No Maranhão, exceto os dois jornais alugados ao governador José Reinaldo, nenhum outro deu crédito à notícia. Dos políticos ligados a José Reinaldo, o único que destilou seu veneno foi Aderson Lago. O tucano tem motivos óbvios para isso e lhe faltam credibilidade e idoneidade para atingir José Sarney.

Políticos de oposição ao senador e com vários anos de oposição a Sarney se mostraram mais responsáveis do que o tucano. Mesmo atiçados por locutores de uma emissora de rádio, os deputados Mauro Bezerra (PDT), Carlos Braide (PDT) e Helena Helluy (PT) não endossaram as críticas ao senador. Embora não o tenham inocentado, os três disseram que tudo deveria ser apurado para que não fosse cometida uma injustiça contra o senador maranhense.

Então, restam o Jornal Pequeno e o Jornal O Imparcial. O primeiro, da família Bogéa, capitaneada por Lourival Marques Bogéa, um jornalista que nunca assinou uma única matéria, mas que enriqueceu a custa da bajulação de poderosos e tem contra si dezenas de processos na Justiça por agredir e ofender a honra alheia. O segundo, recém-saído de uma situação de insolvência com conotação claramente criminosa, graças ao aluguel de sua honra e de seus diretores para o governador José Reinaldo.

Quem, em sã consciência, vai acreditar na idoneidade desses dois parceiros de crime? Quando janeiro chegar e cerradas as torneiras que hoje regam, de forma criminosa, os cofres das duas empresas, quem duvida que batam às portas do novo governo dispostos a alugar, ao adversários de seus patrões de hoje, de novo a sua honra e sua dignidade?

O que fazem o dois pasquins ao atacar a honra de José Sarney é encenar um ato de uma peça de um circo mambembe, onde a vulgaridade é a atriz principal.

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