Um dos candidatos do consórcio de partidos montado pelo governador José Reinaldo Tavares, o ex-juiz caxiense Edison Vidigal parece não se dar conta de que ele ainda é governado por seu inventor político. Ontem, em longa entrevista a um programa de TV de uma das emissoras amilhadas, José Reinaldo foi o alvo preferido das acusações de inépcia feitas por Vidigal.
O juiz caxiense não deixou pedra sobre pedra no que se refere à reputação de administrador relapso que José Reinaldo ostenta. Disse-lhe poucas e boas, julgando que estava atingindo algum adversário. Mas sua fala chegou demonstrar de forma inequívoca o estado de verdadeiro descalabro que seu chefe e mentor está deixando o Maranhão. Segundo Vidigal, o que José Reinaldo vai deixar de herança para as futuras gerações: "é um estado que é o primeiro colocado em tudo que não presta e o último colocado nas coisas que prestam", atacou.
O caos administrativo que o governador Zé Reinaldo está deixando para sua sucessora também foi tema da entrevista-propaganda do ministro Vidigal, cujo maior regalo é se considerar um grande jurista, mas que tem desrespeitado seguidamente a lei eleitoral. Para o candidato do PSB indicado por José Reinaldo, seu governador deixa como legado um Maranhão que "é o estado mais bagunçado administrativamente". E coloca uma pedra sob a lápide mortuária da administração reinaldista: O que o Maranhão precisa é de "um governador que seja líder e honesto, aplique o dinheiro público com seriedade, seja competente e tenha compromisso com o povo". Carapuça completamente adequada ao atual chefe do Executivo Estadual.
Alvo de denúncias de toda sorte, o setor de infra-estrutura do Governo do Maranhão também não escapou da fúria do candidato-britadeira. Para Vidigal, é preciso reconstruir as estradas que estão destruídas; é necessário remontar o setor educacional, que está esfacelado e absolutamente ineficiente. Esse é outro setor que o governador considera a "menina dos olhos" de sua desastrosa administração. Foi lá que surgiram e se acobertaram alguns dos maiores escândalos administrativos do Maranhão, com desvios de milhões de reais. Até hoje, há escolas fechadas por falta de professores, que estão sendo contratados por indicação de políticos e em desrespeito à legislação.
Para o candidato pseudo-socialista, é preciso dar especial atenção à malha viária do estado, que Roseana deixou em ótimo estado e que hoje estão destruídas por falta de manutenção nos últimos cinco anos. Numa crítica feroz a seu aliado, que ainda governa o estado, Vidigal foi duro ao afirmar que as estradas no Maranhão, que deveriam ser caminhos do desenvolvimento, viraram caminho de cemitério.
Vidigal sabia que suas palavras atingiam somente seu chefe, que está no comando do estado há quase cinco anos. Mas continuou batendo nele de forma impiedosa no atual ocupante do Palácio dos Leões. Um dos principais pilares do apoio político que ele conseguiu compor à custa do erário, a aberração administrativa que leva o Maranhão a ter quase 70 secretarias de governo também foi detonada por Vidigal, que disse que o Maranhão está esbandalhado e prometeu, no caso de uma hipotética eleição sua, que iria acabar com essa estrutura corrupta e viciada de alto custo para o bolso do contribuinte maranhense.
Se Vidigal sabe de tudo isso, não era o caso de denunciar seu mentor ao Ministério Público?