EXPEDIÇÃO
Levantamento sócio-ambiental
Um gigante das águas corre o risco de soçobrar em meio à poluição e ao descaso com que tem sido tratado pela população e claro, pelos governantes que ano após ano se comprometem a conhecê-lo para formular ações de salvamento. Em seus 1,2 quilômetros de extensão, o Rio Itapecuru cruza 52 cidades, e desemboca em São Luís, e abastece 3 milhões de pessoas. Mesmo assim, o processo de degradação se arrasta de forma inexorável.
Uma expedição programada pela Assembléia Legislativa do Maranhão adiou de junho para “depois das eleições” esta viagem de reconhecimento pela Bacia do Rio Itapecuru. Quatro equipes formadas por professores e técnicos percorreriam sua extensão objetivando fazer um levantamento sócio-ambiental do rio para buscar uma forma de organizar usuários de suas águas. “Conscientizar é a única forma de garantir a vida do rio”, defende o conselheiro do Tribunal de Contas do Maranhão Yêdo Flamarion Lobão, nomeado presidente de honra do Projeto Itapecuru - Águas Perenes.
Está na Câmara Federal o projeto que autoriza o Executivo a realizar estudos técnicos para a revitalização e recuperação do rio Itapecuru. Com a nascente na Serra de Crueiras, no Parque Estadual do Mirador, e desaguando na Baía do Arraial, o rio corta praticamente todo o estado. O senador Edison Lobão (PFL), autor do projeto já aprovado pelo Senado, disse que historicamente o rio desempenha importante papel de ligação entre a capital, São Luís, e as cidades ribeirinhas, já tendo sido uma importante via fluvial de escoamento.
“É uma situação de emergência porque o Itapecuru está agonizante”, disse ele, em entrevista à Agência Amazônia. A ausência de cobertura vegetal em suas margens provocada pela inadequada exploração agrícola, a erosão e o assoreamento têm afetado gravemente o rio.
Desabastecimento
Preocupados com o risco de problemas no abastecimento principalmente de São Luís representantes de especialistas em meio ambiente iniciaram uma campanha de reflorestamento da mata ciliar começando pela microbacia de Codó/Timbiras. “É uma pequena ação, que vai se expandir”, prometeu ele aos moradores de Codó. Hoje, 75% da água para consumo na capital é retirada do Itapecuru.
O projeto de reflorestamento prevê inicialmente o replantio de 6 hectares e o repovoamento dos rios com espécies de peixes nativas. A outra ação será introduzir atividade agrícola de baixo impacto ambiental e obter a participação da comunidade local para criar a cultura de utilizar, sem destruir. Haverá ainda um criatório de peixes da região, desaparecidos devido à degradação e ao assoreamento. Quando adultos, os peixes serão lançados ao rio.
Até o inicio do século XX, o rio Itapecuru era a principal via de escoamento da produção regional através de navegação a vapor que seguia de São Luís até o município de Caxias. Sua importância era grande devido ao fato de ser o canal de transporte de produtos do interior até a capital. Com a construção da estrada de ferro São Luís/Teresina na década de vinte, paralela ao rio e posteriormente com o asfaltamento da BR-316, na década de sessenta, o rio perdeu essa função.
Ao longo dos anos, a formação de bancos de areia, resultante do assoreamento do rio que obstruía os canais de navegação, dificultou ainda mais a navegabilidade. Embarcações de tamanho médio, principalmente no período de estiagem ou baixa-mar, encalhavam no meio do rio.
A navegação no Rio Itapecuru marcou uma época na história do Maranhão, trazendo o desenvolvimento ao interior do estado. Hoje, diferente do passado, o rio é visto pela população maranhense como fonte estratégica de água para os centros urbanos, principalmente para os moradores da Ilha de São Luís.