"Eu custo crer que em qualquer outra rua da cidade as pessoas tenham tantos problemas quanto nesta". A afirmação é de Ivanilde Ferreira, que há dezessete anos mora na Rua da Cotovia - também conhecida como Rua João Henrique - próxima ao Mercado Central.
Quem trafega pela Magalhães de Almeida precisa passar por ali para fazer o retorno, já que é a única via em que o trânsito é permitido no sentido oposto, desde a Rua de Santana. O drama relatado pelos moradores vai além de questões de infra-estrutura: é muito mais do que isso. São problemas relacionados especialmente à segurança na área.
Depois do meio-dia, andar por ali se torna extremamente perigoso. Não são poucos os casos de assalto nas proximidades e furtos a carros. Depois das seis da tarde, o que já era ruim fica ainda pior. Nenhum poste funciona perfeitamente, o que faz com que a via esteja sempre na maior escuridão.
"De noite, os desocupados aproveitam e fazem a rua de motel. Existem muitos prostíbulos aqui por perto e muita gente vem manter relações sexuais aqui, porque a rua é quase um beco escuro. Vem gente fazer baderna, vem gente praticar vandalismo, acontece todo tipo de coisa. Outro dia invadiram uma casa ali em frente, que está para alugar. A polícia teve trabalho para tirá-los de lá, mas não teria tido se vigiasse sempre, se houvesse segurança constante", conta Ivanilde.
Além disso, o calçamento é precário. Não são poucos os buracos e por recorrentes vezes os motoristas tiveram seus pneus furados depois de passar pelo local. "Aí todo o mundo reclama, fala mal do prefeito, com razão. Num lugar perigoso como esse, ter que parar para trocar pneu é pedir para ser assaltado", avaliou Roberto Matos, que trabalha nas proximidades. "A Caema vem aqui e não faz o serviço como deve ser feito. Tapa o buraco com entulho, joga terra, deixa de qualquer jeito. Na primeira chuva, abre de novo", completou.
Não há policiamento na área e os moradores reclamam da ineficiência da segurança pública, que, quando é solicitada, demora horas para chegar ao local: "Aqui todo o mundo está à mercê da ação dos marginais. Já sabemos que ninguém da polícia vai vir aqui, até que aconteça algo mais sério", enfatizou Roberto.