Os governos corruptos estão com os dias contados. A onda de moralização que varre o país tem atingido, indistintamente, todos os níveis da administração pública. Ninguém está acima da lei e a atuação da Polícia Federal nas investigações, denúncia e prisão dos ladrões do dinheiro do povo, tem beirado a perfeição. Deputados, inclusive presidentes de Assembléias Legislativas, desembargadores presidentes de Tribunais de Justiça e figurões que antes se achavam intocáveis.
Ontem, um fato de relevância mostrou que administradores públicos não podem mais continuar dilapidando o patrimônio público, seja em proveito próprio, seja em vendetas ignominiosas ou para atender a caprichos de suas concubinas. Em Rondônia, a Polícia Federal prendeu o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Sebastião Teixeira Chaves, e sua mulher, a advogada Marilda Shirley de Souza Leira Teixeira Chaves. Também foram presos o presidente da Assembléia Legislativa de Rondônia, deputado José Carlos de Oliveira (PL) - o "Carlão", acusado de ser o líder da quadrilha - e o procurador-geral de Justiça, Abdiel Ramos Figueira. Outros desembargadores e ao menos nove deputados estaduais também estariam envolvidos nas ações criminosas do grupo e são procurados pela polícia. O crime deles? Venda de sentenças judiciais.
Na verdade, o que se estabelece com mais essa ação enérgica da Polícia Federal é que ninguém mais deve praticar crimes acreditando na impunidade. Governantes corruptos, que recebem proteção de parlamentares não menos corruptos e de representantes do Ministério Público e do Judiciário comprometidos com essa anomalia que grassa como erva daninha no meio político-institucional, certamente serão presos mais cedo ou mais tarde.
A lealdade entre os componentes dessas verdadeiras quadrilhas que se enraízam na administração pública brasileira não significa que ficarão eternamente impunes. Todos, mais dia, menos dia, serão atingidos pelo longo braço da Justiça. A ação da Polícia Federal, seja em Rondônia, São Paulo, Mato Grosso ou Santa Catarina caçando criminosos de colarinho branco é uma clara demonstração que a sociedade não aceita mais esse tipo de conduta.
O recado que vem dessas ações é claro: mesmo aqueles que estão em final de governo ainda podem ser presos. Ninguém sabe se há investigações da Polícia Federal no Maranhão, mas são tantas e tão cristalinas as denúncias feitas contra políticos do alto escalão que será de admirar que isso não esteja ocorrendo aqui também.
A prisão de tantas personalidades, ainda que num estado pequeno, deve ser vista como um ato de independência da Polícia Federal, que vem fazendo um trabalho minucioso para combater a criminalidade oficial, ainda que em certas ocasiões seja preciso cortar a própria carne.
No nosso estado, quem passou os últimos quatro anos se apropriando do dinheiro do povo vai ter que prestar contas com a Justiça. Seja agora, através de uma enérgica ação dos agentes federais, seja através da ação moralizadora que sucederem os que, para enriquecer a si próprio e a outrem, passaram todo esse tempo roubando o dinheiro do povo do Maranhão.
Há que ser feita uma intervenção cirúrgica, separando definitivamente aqueles que, em troca de benefícios pessoais, alugam suas carreiras políticas por um determinado período para, mais tarde, voltar cinicamente ao grupo que abandonaram.