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Brasil se sente atingido por violência no Líbano



Data de Publicação: 5 de agosto de 2006
 
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "o Brasil se sente diretamente atingido pela violência contra civis (no Oriente Médio), que já vitimou sete brasileiros".

A afirmação está em uma carta enviada na quinta-feira ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan. O texto foi distribuído pelo Itamaraty sob o título "Cartas do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a situação no Líbano".

O texto afirma que o país repudia o terrorismo, numa provável referência às ações do grupo islâmico libanês Hizbollah contra Israel.

Mas, em seguida, em referência indireta às ações de Israel, diz que não pode deixar de "condenar nos termos mais veementes a reação desproporcional e o uso excessivo da força que tem resultado na morte de grande número de civis, inclusive mulheres e crianças, e na destruição da infra-estrutura do Líbano".

Segundo o Itamaraty, cartas com teor semelhantes foram enviadas aos chefes de Estado ou de governo dos países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (EUA, Grã-Bretanha, China, França e Rússia), além dos países da América Latina que ocupam posições rotativas no organismo (Argentina e Peru).

A íntegra da carta:

"Senhor Secretário-Geral,


O povo brasileiro vem acompanhando com extrema preocupação os acontecimentos no Líbano. Como Vossa Excelência sabe, o Brasil congrega o maior número de libaneses e seus descendentes fora daquele país.

No Líbano, reside expressiva comunidade de nacionais brasileiros. Igualmente, há importante comunidade judaica no Brasil, bem como numerosos brasileiros em Israel.


É para nós motivo de orgulho e satisfação a convivência harmoniosa entre judeus e árabes em nosso país.

O Brasil se sente diretamente atingido pela violência contra civis na região, que vitimou sete cidadãos brasileiros, inclusive crianças.

Repudiamos o terrorismo, não importa sob que justificativa, mas não podemos deixar de condenar, nos termos mais veementes, a reação desproporcional e o uso excessivo da força que tem resultado na morte de grande número de civis, inclusive mulheres e crianças, e na destruição da infra-estrutura do Líbano.

Foram igualmente motivo de profunda consternação os ataques que levaram à morte de quatro observadores da Unifil. Aproveito a oportunidade para transmitir meus sentimentos de pesar e solidariedade com as famílias das vítimas e todo o pessoal das Nações Unidas.

Associo-me a seus apelos por um cessar-fogo imediato, como condição necessária para que se possa buscar um acordo que forneça as bases para uma paz negociada, justa e duradoura entre Líbano e Israel.

É fundamental que o Conselho de Segurança aja com celeridade com vistas a pôr fim ao conflito.

O Brasil estende seu apoio a iniciativas diplomáticas que contribuam para a cessação imediata das hostilidades. O Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, está mantendo contatos com diversos interlocutores sobre o tema.

Estou enviando para alguns países da região o Embaixador Extraordinário do Brasil para o Oriente Médio, Affonso Celso de Ouro-Preto, com vistas a expressar o apoio brasileiro a uma solução para o conflito.

Aproveito para renovar meus votos de elevada estima e distinta consideração."

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