Por Gilberto Léda
Editoria de Política
ABSURDO
Mais esquemas na Assembléia
O presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual João Evangelista (PSDB), está em plena campanha eleitoral pelo interior do Estado - informações dão conta de que ele tem feito dobradinhas, inclusive, com petistas -, no entanto, os subordinados dele no Legislativo parecem estar bem orientados para não permitir que cessem os esquemas para beneficiamento de aliados na capital.
A publicação do Diário Oficial de 21 de julho, exatamente em meio ao recesso parlamentar, revelou a assinatura de mais um contrato, no mínimo, suspeito. O presidente da Comissão Central de Licitações, Yrapoan Passos Sousa, assina junto com o deputado tucano um contrato para a "prestação de serviços cópias (sic!) de chaves, abertura de porta, conserto de trinco, encadernação, carimbos, rezinas e refis", de acordo com o texto da publicação. A contratada é Xerográfica Papelaria Aéreo Sat Ltda.
Que a sede da AL precisa de reparos, isso não se nega. Vistorias já realizadas por empresas especializadas em engenharia civil dão conta de que a estrutura da Casa está mesmo nas últimas, mas o que chama a atenção é o valor do contrato.
Para manter as portas funcionando, com chaves e trincos novos e os carimbos todos novinhos em folha, João Evangelista designou, em recursos da própria Assembléia Legislativa, nada menos que R$ 72.480,00.
Desconfiança
E o que causa ainda mais espécie nesse caso, além do valor absurdo para serviços tão básicos, é o fato de que a contratação foi realizada sem licitação. Assim, qualquer um que tenha boa memória percebe que o novo contrato remonta a duas outras contratações realizadas no ano passado.
As duas foram realizadas depois de processos licitatórios nada idôneos. Um para agência de publicidade, vencido pela OpenDoor, que, semanas antes da abertura dos envelopes, já era anunciada como a vencedora da concorrência.
O outro caso refere-se à contratação de empresa especializada em aluguel de veículos. Essa licitação foi ainda mais suspeita, porque, apesar de ter vencido o processo, a empresa que tinha menor preço não pôde prestar o serviço, uma vez que foi impugnada sumariamente pela Administração da Assembléia.
Ainda não há mais dados sobre o processo que deu origem ao contrato da Xerográfica, mas, ao que tudo indica, não deve passar de apenas mais um esquema para lesar o erário estadual.