A maioria dos vereadores de São Luís está se notabilizando por dois hábitos que sempre terminam da mesma forma: o repúdio da população e a rejeição dos eleitores no próximo pleito. Com raríssimas exceções, os nossos edis mostram que seu trabalho na Câmara Municipal de São Luís se resume a dizer amém a tudo o que o prefeito quer deles e, em troca, ganham mais e mais cargos, sem que o mesmo prefeito se oponha a esse festival imoral de sinecuras.
Mas, verdade seja dita: não é só essa Câmara que tem esse tipo de comportamento. A coisa vem desde os tempos do então presidente João Evangelista - que hoje preside a Assembléia Legislativa -, quando a criação de cargos comissionados virou uma epidemia no Palácio Pedro Neiva de Santana. A coisa se repetiu com seus sucessores e chegou ao ápice no segundo mandato de Francisco Carvalho.
A eleição da Mesa Diretora, ontem, traz uma forte indicação que a prática de trocar cargos por votos atinge níveis de escândalo. Com apenas 21 vereadores, a Câmara Municipal de São Luís terá nada menos que nove membros integrando sua Mesa Diretora.
Depois de décadas composta por 7 membros, a Mesa Diretora da Câmara Municipal sempre foi um cabidão para acomodar eventuais vereadores insatisfeitos com o muito que ganham para trabalhar tão pouco: três dias por semana, quando isso acontece.
Sempre às vésperas de eleições para escolher o novo presidente, os vereadores aumentam sua voracidade por cargos, não se importando se quem paga a conta é aquele mesmo que paga seu salário e que acreditou nele, no vereador, na hora de votar: o pobre do contribuinte de São Luís.
O mais lamentável é que, para dirigir os trabalhos de apenas três sessões semanais, a Câmara Municipal tenha que arcar com as despesas de 9 vereadores, quando não são necessários mais que três. Nem mesmo há espaço físico suficiente para abrigar 9 vereadores na Mesa Diretora. Se isso acontecesse, exporia ao ridículo a medida aprovada ontem, pois, dos 21 vereadores, apenas 12 permaneceriam no plenário, numa cena surrealista.
Entretanto, a medida adotada ontem pela Câmara Municipal não foi obra do acaso. O vereador Astro de Ogum, que se diz candidato a prefeito de São Luís no próximo pleito, há mais de um ano havia tornado pública sua vontade de concorrer à Presidência da Câmara. Talvez por isso tenha sido o autor da emenda ao Regimento Interno criando os cargos - um dos quais ele habilmente se apossou ontem. Não é difícil de imaginar que Astro, ao criar os cargos, queria usá-los como objeto de barganha. Talvez por falta da chave do cofre não tenha conseguido seu intento de vir a tornar-se o novo presidente.
Mais lastimável foi o papel do presidente Pereirinha nesse episódio. Além de aceitar mais essa notória manobra eleiçoeira, ainda dela se prevaleceu para, uma vez mais, acomodar possíveis insatisfeitos.
Esse desrespeito ao eleitor e ao consumidor que paga as contas e os salários de nossos edis é corroborado pelo prefeito Tadeu Palácio que é, em última análise, os gestor do dinheiro público e a quem caberia a responsabilidade de buscar a Justiça para impedir que a Câmara se transforme nesse balcão de negócios. O prefeito, entretanto, não o faz. Silencia e, conivente, paga as mesadas daqueles que, em vez de usarem cargo para buscar facilidades, deveriam trabalhar em benefício do povo.
Hoje, a Câmara Municipal de São Luís é um dos exemplos que na política de São Luís prevalece a máxima de que "é dando que se recebe".