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Defesa Civil interdita prédio de escola do Governo do Estado ameaçado de desabamento



Data de Publicação: 9 de agosto de 2006
 
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VERGONHA

E agora, Anny Kristen?


A situação de total degradação em que o governador José Reinaldo deixou a educação do estado é lamentável. Um dos exemplos mais flagrantes é o da Escola Solano Lopes, situada na Rua Santa Rita, Centro, onde o funcionamento está suspenso desde o início das férias, por conta de uma interdição da Defesa Civil.

A escada que dá acesso ao andar superior está condenada, assim como algumas salas de aula foram isoladas por conta do comprometimento do forro do teto. A previsão inicial é de que uma reforma seria feita para fazer os reparos necessários e as aulas seriam retomadas no dia 21 de agosto.


No entanto, até o momento, não há qualquer sinal de que alguma obra seja feita no local. Enquanto isso, o ano letivo atrasa e os alunos se preocupam com a data de conclusão dos trabalhos. O término depois do tempo normal prejudica a todos, especialmente os que estão concluindo o terceiro ano do ensino médio e se prepararam para o vestibular.

Alguns alunos que não quiseram se identificar falaram a Veja Agora os graves problemas pelos quais passam todos os dias, enquanto tentam estudar. A incerteza sobre o calendário das aulas incomoda a todos: "Até agora, nós não sabemos como vai ficar a nossa liberação para o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Não fomos avisados de nada, não sabemos quando retornamos", afirmou uma aluna.

Nem os funcionários têm conhecimento do que acontece nos bastidores. Alguns deles afirmaram que ao retornar das férias se depararam com uma folha de papel colada na parede do pátio informando que o funcionamento da escola só seria retomado no dia 21.

Lá dentro, a cena é lastimável. As paredes estão sujas, pichadas e rachadas. Muitas salas de aula não estão em condições de ser utilizadas. Os alunos contam que algumas delas nem dispõem de um quadro para que sejam feitas as anotações necessárias durante as aulas, e quando tem, às vezes, falta giz e o professor não pode escrever. Em uma delas, um ventilador já despencou do teto e quase atinge um estudante.

No andar de cima, duas salas não têm janelas, apenas o local onde elas deveriam existir. Com o buraco na parede, a água da chuva entra e alaga o cômodo em pleno horário de aula. Buracos, aliás, não são poucos: no ensino fundamental, as salas têm enormes aberturas nas paredes que dividem os compartimentos, o que faz com que os alunos menores circulem livremente de uma sala pra outra no horário em que o professor tenta dar aula.

Outro problema que incomoda a todos é quanto à questão da higiene: a caixa d'água não tem manutenção há meses e os filtros dos bebedouros não são limpos com freqüência. "O filtro é verdinho; eu não tomo água aqui": palavras de uma aluna da escola.

O estado dos banheiros é ainda pior: não há portas, as pias e os vasos estão quebrados e existe muita sujeira. Por toda a escola, a situação é deplorável. Algumas turmas do ensino médio estão sem aula de Geografia desde o início de 2006, quando o professor titular ficou doente. A partir de então, as aulas da disciplina foram suspensas porque a Secretaria Estadual de Educação não encontrou ninguém para substituí-lo.

Os alunos acusam a diretora Maria de Fátima Moraes de destratá-los: "Ela é grossa. Trata todo o mundo com a maior falta de educação, até os funcionários. Na frente dos pais, parece uma santa, acho que tem medo de denúncia. Ela não tem interesse em resolver nossos problemas, quando a gente reclama, ela trata todo o mundo com ignorância e ponto final", disse uma aluna do ensino médio.

A Escola Solano Lopes, embora pública, cobra por quase todos os serviços, a exemplo do que vem acontecendo em outras unidades de ensino comandadas pela Secretaria Estadual. "Aqui, os alunos pagam até a xerox da prova. Se precisar de uma declaração tem que pagar dez centavos, não é nem uma folha de papel. O livro de matemática não foi entregue desde o começo do ano, os estudantes não têm material didático e nenhum apoio para estudar, porque aqui também não tem biblioteca", contou Maria da Conceição Dutra dos Reis, mãe de uma aluna.

Outra preocupação de pais e estudantes é quanto ao registro da escola no Mec: "Já ouvi dizer que a escola não é registrada e por isso não pode fornecer os diplomas quando os alunos terminam o ensino médio, mas, quanto a isso, eu não tenho certeza. É o que se comenta por aqui", informou uma mãe.

Ainda bem que José Reinaldo não tem muito tempo para concluir seus trabalhos de destruição do ensino do Maranhão. A educação - que ele tantas vezes afirmou ser sua maior preocupação - está renegada, esquecida e violentamente agredida pela sua gestão.

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