Por Gilberto Léda
Editoria de Política
CARTAS-CONVITE
Perdas fazem CSL suspender abertura de propostas
Pára o esquema na Sinfra
As denúncias de Veja Agora e a participação intensa de empresas que não participam do esquema das cartas-convite na Secretaria de Infra-Estrutura do Estado (Sinfra) - ganhando quase todas as concorrências abertas - fizeram a presidência da Comissão Setorial de Licitações (CSL) da pasta suspender, ontem à tarde (31), a abertura de todas as propostas que estava prevista para esta quinta.
De acordo com informações de um dos engenheiros responsáveis por uma das empresas participantes do pleito, as derrotas sofridas pelas empresas indicadas pelos prefeitos aliados do governador José Reinaldo (PSB), na tarde da última quarta-feira (30) e na manhã de ontem, motivaram a decisão.
"Nós estávamos levando tudo e eles perceberam que, assim, não iam poder atender os prefeitos da forma como queriam", afirmou o engenheiro.
Ele acrescentou que foram solicitadas informações sobre as razões oficiais para a suspensão, mas o chefe de gabinete da secretaria, Otávio, negou-se a dar qualquer explicação. "Ele pediu que oficiássemos a solicitação para, só depois, mandar uma resposta oficial da Secretaria de Infra-Estrutura", completou.
Os empresários já enviaram o documento à Sinfra, mas ainda não obtiveram resposta. Eles acreditam que a suspensão tenha sido uma forma de adiar o processo, ganhar tempo para que os operadores do esquema planejem uma nova maneira de favorecer os aliados do governo.
Entenda o caso
Desde o início do mês, Veja Agora denuncia o que pode ser um esquema para cooptar apoio de prefeitos para as campanhas dos candidatos de José Reinaldo (PSB). Segundo fontes com acesso ao Palácio dos Leões, a jogada envolveria o fracionamento das obras em várias cartas-convite - 280 no total -, a indicação das empresas vencedoras das concorrências pelos chefes de Executivos Municipais e o superfaturamento de obras para o desvio de recursos.
Em entrevista a Veja Agora, dia 14 de agosto, o presidente da Comissão Setorial de Licitações (CSL) da Sinfra, Alexandre Rosa de Carvalho, confirmou o fracionamento dos serviços, mas negou o esquema para beneficiamento de aliados. As coincidências entre as informações do nosso interlocutor no governo e o desenrolar dos fatos, no entanto, levam a crer que Rosa estava unicamente defendendo os interesses de seus patrões.