O comércio bilateral entre Brasil e China deverá alcançar até 2007 o montante de US$ 20 bilhões, segundo previsão feita ontem pelo presidente do Comitê Permanente da Assembléia Popular Nacional da República Popular da China, Wu Bangguo, durante palestra na Câmara dos Deputados. O valor é superior aos US$ 18,7 bilhões do comércio entre o Brasil e os demais países do Mercosul, no ano passado.
Em seu último dia de visita ao Brasil, antes de seguir para o Uruguai, o segundo homem da hierarquia política chinesa ressaltou ainda a mudança da composição da pauta bilateral de comércio, para incluir produtos de maior conteúdo tecnológico. Um dia antes, ele participou, no Palácio do Planalto, do anúncio da compra, pela empresa aérea chinesa HNA, de 100 aviões Embraer - dos quais 50 serão fabricados na China e 50 no Brasil.
- A composição de produtos no comércio bilateral está passando por mudanças essenciais. Aviões regionais brasileiros e outros produtos de alta tecnologia e alto valor agregado estão ganhando a preferência do mercado chinês, enquanto produtos chineses de eletrônica e telecomunicações já têm confiança dos consumidores brasileiros - enumerou Wu, durante a conferência realizada no auditório Nereu Ramos, intitulada "Intensificar cooperações amistosas, realizar o desenvolvimento comum".
O presidente do comitê da assembléia chinesa observou que, entre 1978 e 2005, após adotar o modelo de "economia de mercado socialista" aberta ao exterior, a China teve um crescimento econômico médio anual de 9,6%. O Produto Interno Bruto (PIB) do país passou de US$ 216,5 bilhões para US$ 2,2 trilhões ao longo do período. O comércio internacional, antes restrito a US$ 20,6 bilhões, alcançou US$ 1,4 trilhão - o terceiro maior do mundo.