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Passando bem



Data de Publicação: 10 de setembro de 2006
 
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A edição de hoje (9) de Veja Agora traz, em sua página 5, matéria do chefe da Editoria de Política, Gilberto Léda, comprovando, de forma cabal, que imperam na Prefeitura de São Luís, assim como no Governo do Estado, a imoralidade, a falta de ética e o nítido interesse de beneficiamento de aliados, parentes e amigos.

De posse de novos documentos, a reportagem deste matutino jogou por terra qualquer tentativa de explicação para a verdadeira aberração que é a aposentadoria da senhora Yrece Porancy de Araújo Lima. Mãe da primeira-dama Vanilma "Tati" Palácio e, conseqüentemente, sogra do prefeito Tadeu Palácio, a "primeira-sogra" é, segundo a secretária de administração do município, Filomena Saads, a beneficiária de uma decisão judicial de 1964 que aumentava os seus vencimentos. Todos sabemos o quanto a Justiça é lenta no Brasil, mas daí a acreditar que essa morosidade acabou coincidentemente quando o seu genro é prefeito da cidade seria muita ingenuidade de qualquer cidadão.

Além disso, diversas outras irregularidades foram desnudadas pela reportagem. Segundo os contracheques e outros documentos aos quais o jornalista Gilberto Léda teve acesso, ainda no meio da semana, não são verdadeiras as declarações de Filomena Saads quando afirma que o astronômico valor de R$ 29 mil percebidos pela mãe de "Tati" Palácio em janeiro - como revelado pelo blog do jornalista Décio Sá e Veja Agora no último fim de semana - foi apenas uma compensação por "diferença de proventos". Dona Yrece vem recebendo o mesmo valor sistematicamente, desde 2004, como revelam os novos contracheques.

Mas isso não é tudo, o que torna o descalabro ainda maior: recebendo tais valores como aposentadoria, a sogra do prefeito supera até mesmo o teto salarial de um procurador na ativa. Estes servidores, trabalhando todos os dias, recebem R$ 7.500,00, como consta de decreto do próprio Tadeu Palácio. Ou seja, menos de 25 por cento do que ganha a sogra.

Durante toda a próxima semana, como é natural em casos de escândalos como esse, com certeza os interlocutores da Prefeitura procurarão todos os meios de comunicação para dar declarações sobre o assunto - coisa que ainda não quiseram fazer, pois acreditam que a denúncia não passa de jogo político. Não o é, pelo menos no nosso caso.

Assim como já defendemos os interesses dos sofridos contribuintes maranhenses nos casos dos convênios fraudulentos e, mais recentemente, do esquema das cartas-convite - este último com o sucesso de ter conseguido suspender a bandalheira - estaremos atentos a mais essa clara demonstração de falta de vergonha em nosso estado. Um estado que os que hoje estão no poder adoram exaltar como uma terra de grandes potencialidades, mas destruída por um grupo político que o domina.

Esse tão propalado grupo está fora do poder há mais de quatro anos e, até agora, o que foi feito com o Maranhão? Onde havia progresso, hoje há desilusão. Onde havia perspectiva de melhores dias, atualmente prolifera o caos.

Mas enquanto o ludovicense comum morre de fome, dona Yrece, com certeza, passa muito bem torrando o dinheiro pago por nós - sim, por todos nós - aos cofres do município.

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