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Calamidade pública na saúde de São Luís revela incompetência do médico Tadeu Palácio



Data de Publicação: 10 de setembro de 2006
 
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Por Rubem Gusmão
Editor de Cidade


FELIZ ANIVERSÁRIO, SÃO LUÍS
Vamos comemorar o quê?

A cada ano a saúde pública de São Luís está pior. Os hospitais de urgência e emergência, os Socorrões I e II não dão conta de atender a demanda. O Socorrão III foi desativado pelo prefeito de São Luís, o médico Tadeu Palácio. Nas unidades mistas de saúde, a situação não difere, são lentidões no atendimento, filas longas e exames e consultas marcados para dois meses, e quem acaba sofrendo esse descaso é a população.

Em sua campanha para reeleição, Tadeu prometeu melhorar a questão da saúde: reforma e ampliação dos hospitais e unidades mistas, além da construção de 5 socorrinhos, que seriam hospitais de urgência. Passados dois anos, nada foi feito. Na Central de Marcação - Cemarc, as filas continuam e a espera por uma consulta ainda demora meses.

O prefeito Tadeu Palácio administra o Sistema Único de Saúde - SUS, uma verba federal que visa ao atendimento da população quer seja em hospitais públicos ou em particulares, mas em São Luís, o que existe é uma saúde pública caótica.

As longas filas nas unidades mistas, hospitais e no Cemarc denunciam o estado crítico em que se encontra o sistema na Capital. O aposentado Natan Cruz de Sousa que estava na Unidade Msta do São Bernardo denuncia que "pela manhã a situação é mais grave. Tem gente que chega cinco horas da madrugada,mas só é atendida por volta de meio-dia. As filas são longas e há muita gente para ser atendida apenas por dois médicos".

Cemarc
O desrespeito para com a população é cada vez maior. As filas quilométricas se formam na porta das Centrais de Marcação de Consultas, localizadas no Apeadouro. Muitos chegam ali de madrugada, com a esperança de conseguir marcar uma consulta. Outros dormem no intuito de serem os primeiros a receber as senhas, entretanto, esse esforço nem sempre é recompensado e o cidadão retorna e tem de esperar mais um mês.

Há poucos dias, o sistema saiu do ar e o atendimento foi suspenso. A falta de organização era geral. Tadeu Palácio centralizou o atendimento na Cemarc, o que dificulta a vida de milhares de pessoas que fazem uso do SUS. Por conta disso, tudo piorou. A simples marcação de uma consulta ou exame se traduz em uma verdadeira maratona aos usuários.

Edna Maria, balconista, estava revoltada com a situação: "Cheguei aqui cinco e meia da manhã e peguei a senha 225, porque quem pegou um número menor precisou dormir aqui. Isso é péssimo, é uma situação horrível. A gente passa por muita humilhação para marcar uma consulta!".

O atendimento não foi realizado nesse dia e centenas de pessoas tiveram de retornar outro dia. O curioso é que o simples fato de o sistema estar inacessível no momento deixou os funcionários de braços cruzados. O que acontece é o descaso, a falta de vontade, a preguiça, a omissão de quem trabalha com a saúde.

Postos
O mesmo ocorre na Unidade Mista do Itaqui-Bacanga, as pessoas aguardam pelo atendimento por horas. Drama vivido pela dona-de-casa Josefa de Jesus Teixeira, ao levar sua neta ao posto com muita febre. Após esperar por mais de duas horas, elas se deslocaram para outro local para serem atendidas.

No Posto de Saúde do Bequimão, as queixas se referem ao atendimento de pacientes no interior da casa de saúde. No local, não havia médicos e enfermeiros, e nem espaço para atender aos pacientes.

Há menos de dois meses, na Unidade Mista da Estiva, que atende quase toda a área rural de São Luís, não tinha médico. Já no Posto de Saúde da Liberdade, a situação é mais séria. Os pacientes reclamam não só da falta de remédios como do atendimento ruim.

Socorrões
O Hospital Municipal Djalma Marques, o Socorrão I, as reclamações estão em torno da falta de médicos especialistas, medicamentos, atendimento ambulatorial e de ambulância, que segundo informações, das duas existentes, apenas uma estaria em funcionamento.

O setor de tomografia computadorizada estava suspenso e o raio X estava funcionando de forma precária, onde filas enormes se formavam.

No Hospital Clementino Moura, o Socorrão II, a reforma ainda não terminou. A Uniddae de Terapia Intensiva - UTI foi entregue esta semana. Mas mesmo assim, a situação não é menos dramática. O atendimento é feito regularmente apesar das constantes filas. O setor de Pediatria do hospital mostra sinais de sobrecarga e atende hoje o dobro da sua capacidade. A maioria dos pacientes chega cedo e permanece quase toda a manhã para ser atendida.

O Hospital São Lucas, o Socorrão III, no Bairro Anjo da Guarda, está abandonado. Quem precisa de atendimento tem de ir para a Unidade Mista do Itaqui-Bacanga ou para o Socorrão I. Tadeu Palácio, no entanto, prometeu reativar a casa de saúde transformando-o no Hospital de Atendimento à Mulher, mas não passou de promessa de campanha, pelo menos até o momento. O prédio está desativado há quase cinco anos. No local, porém, não se vê um operário ou qualquer sinal de obra.

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