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PAULA TINA



Data de Publicação: 10 de setembro de 2006
 
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Reação em cadeia
Ricardinho, meu Robespierre timbira, hoje estou gritando mais que o Bentivi no horário eleitoral gratuito. Reage, Maranhão! E estou gritando pra mim mesma: reage, Paula Tina! A minha coluna de hoje é uma reação só. Primeiro vou reagir ao Edivaldo Holanda Júnior, que ficou contrariado com a coluna de domingo passado, na qual, com a mais pura ingenuidade, revelei detalhes da nossa intimidade. Há uma semana, ele não me procura na cama. Por isso vou reagir. Mas confesso ao leitor que dói ficar longe do Júnior. É uma dor que adoece, que corrói a alma e nos faz delirar. Aí eu me lembro do Fernando Pessoa e do desassossego da alma ante a separação: “A vida é um hospital onde quase tudo falta. Por isso ninguém se cura. E morrer é que é ter alta”. Ele sabe que sou do bem e que fiz tudo com a maior sinceridade, mas sempre notei que a família dele torce contra o nosso romance. Tive força pra segurar a barra no começo. Mas depois a insegurança começou a me dominar. E o meu medo era crer em algo que ali os meus olhos não criam. O Edivaldo Holanda Júnior está crente que irei ligar e pedir reintegração de corpos. Pois fique na crença e capriche nas orações a São Pereirinha. Na contagem final de votos e ex-votos, ele dança. Aprendi com a amiga Tati: homem a gente deixa pensar que nos manda, mas louca de nós se os deixamos governar nosso destino. E temos dito e feito. Depois vou reagir ao riso...
 
Papa na língua
Muitos já devem ter perguntado. Por que surgiu a Paula Tina? O que quer? Qual o seu intento? Os sábios aguardam. Os tolos devem ter dito: “Ah, a Paula Tina veio para criticar o governo!”. Longe de mim motivo tão miúdo. Vim para criticar os estetas da “sociedade” onde vivo, produzo e me remexo. O governo é parte dessa sociedade? A Prefeitura? A família Sarney? As lágrimas do Vidy Gal? O Xandro Martins? O Domingos Bingos Dutra? Certamente que sim, e não tenho como fugir a isso – nem eles. Vim para semear o escárnio, apontar, observar, denunciar, sugerir, ter orgasmos múltiplos, opinar, menstruar, cobrar, enfim tudo que a imprensa de qualquer país civilizado esbanja há décadas. Minha arma? O despudor. Por que devo tratar fatos com sisudez, quando eles chegam risíveis, hediondos, ridículos, óbvios à exaustão? Eu sou tudo, leitor, menos aquilo que o crente do Edivaldo Holanda Júnior um dia me fez crer: o caminho, a verdade e a vida!

Feedback
Passei a semana recebendo mensagens pela internet. Minha caixa postal entrou em TPM. Um horror! São empresários, criadores de gado, cabeleireiros, empreiteiros, forasteiros, mensaleiros, os amigos da Academia... Muitos querem ter o nome divulgado na coluna da Paula Tina, outros querem apenas fazer algum gracejo. “Nunca houve uma mulher como Paula Tina”, disse-me, em mensagem criptografada pela Andréa Viana e à prova de infidelidade partidária, o gato Tadeu. Já o Nélson Frota, diretamente de uma lan house da Expoema, não fez rodeios. Foi direto ao ponto G: “Eu quero te pegar no colo, te deitar no solo e te fazer mulher”. E mais não disse aquele homenzarrão e de gogó ardente. Fiquei bege com a ousadia - eu e a Valéria Pedrosa. Da Euromar, recebi o seguinte e-mail: “Paula, você precisa é de um homem pra chamar de seu, mesmo que este homem seja eu!”. Era o Xandro Martins, inconformado pelo meu rompimento com o Edivaldo Holanda Júnior e tentando levantar minha libido! Lacônico mesmo foi o bilhetinho que recebi do próprio Edivaldo: “Paulinha, o Senhor é o teu pastor, e nada te faltará!”. Pelo visto o fofo tá decidido.    

Tempo fechado
Bastou o Vidy Gal chorar no horário eleitoral gratuito e já começou a chover no Maranhão em pleno mês de setembro... Isso a Mayana Estevanin, a moça do tempo, não reconhece no Bom Dia Mirante...

Carpideira
A fita com a íntegra do choro do Vidy Gal vai ser incluída na programação de vários cursos de auto-ajuda espalhados pelo Brasil. Lair Ribeiro achou tudo exuberante e muito real e quer assinar contrato com o ex-juiz.

São Luís pioneira
Com uma aposentadoria mensal de 29 mil reais, a sogra do gato do Tadeu está anos-luz à frente das estatísticas do BNDES. E ainda dizem que as mulheres só vão receber salário igual ao dos homens a partir de 2081... A ong Salários Sem Fronteiras quer fazer um estudo de caso de Dona Yerecê Porancy.

Obra-prima
Preocupado com a repercussão na imprensa sobre o gordo salário da mãe da Tati, o gato do Tadeu resolveu escrever à Paula Tina para mostrar as suas razões. E eu que achava que o prefeito mal entendia de prosa... Pois não é que Judas Tadeu me enviou sua justificativa por meio de poesia. Confiram o poema, que tomei a liberdade de batizar de “Obra derradeira: a minha obradeira”:
Faço uma atrás da outra
Minha vida é uma obra
Cuido da pele com carinho
Uso o tempo que me sobra
Ergo praça e Socorrinho
E ainda turbino a minha sogra

Gratidão
E diz que a sogra do Judas Tadeu também vai ganhar uma estátua no Pantheon maranhense, pelos relevantes serviços prestados ao município de São Luís. Já não era sem tempo. Qualquer genro no lugar de Tadeu faria a mesma coisa. Isso só os pobres de espírito não compreendem.

Ele excede de novo
A Associação Maranhense das Sogras, a AMASOGRA, entidade sem fins lucrativos, enviou carta à Prefeitura reconhecendo o ato de bravura do gato do Tadeu. Leia um pequeno trecho da missiva: “A fé sempre esteve do nosso lado. Mais cedo ou mais tarde chegaria o dia da nossa redenção. Há tempos, esperamos por esse momento. Só agora a profecia se confirmou. Enfim, uma sogra recebe o tratamento que merece e dá um basta às piadinhas de mau gosto. Não há mãe nesta terra que não sonhe em ser sogra do Tadeu. Com os cumprimentos da AMASOGRA”.  

Do Paraguai
Wilson Envelhecido em Barris de Carvalho está inconsolável. E o motivo não é a provável impugnação de sua candidatura a deputado, mas o fechamento de uma destilaria que comercializava cachaça falsificada no interior do Maranhão. Um desperdício.

Sorte duas vezes
Não convidem para a mesma mesa de pif-paf o Domingos Bingos Dutra e o Ader$inho, o monstro do Lago. Os dois andam disputando na porrinha, em pleno horário eleitoral gratuito, quem tem mais gratidão às generosidades de campanha de Carneiro.

RSVP
E diz que o Ader$inho, o monstro do Lago, anda revoltado porque fora pego de calças curtas com a história das cartas-convite. “Como não me incluíram na jogatina? Se tem carta na mesa, por que não me convidaram?”, teria rugido nos ouvidos do secretário Nei Belo e Lindo.

Deu a louca 1
Pelos bastidores da Pacotilha não se fala de outra coisa. Vejam o que li e grifei na coluna do Ray Borges:

“Para chegar a um milhão de habitantes, São Luís precisa apenas de 1.615 moradores. Com isso, a Prefeitura receberia muito mais dinheiro do Fundo de Participação e outros repasses federais calculados sobre o tamanho da população. Enquanto isso, a Câmara Municipal passaria, imediatamente, para 33 vereadores”.

E mais:
“No entanto, pelo crescimento demográfico do município de São Luís, de 1,99/ano apurado na pesquisa do IBGE, para chegar ao número cabalístico de um milhão de viventes, basta a Prefeitura suspender a distribuição de camisinha, durante três meses, dos bairros da região Itaqui Bacanga, Vila Cascavel, Janaína e Cidade Operária.
Iria sobrar gente, e muita”.

Deu a louca 2
Ricardinho, lindo, agora me diz se não deu a louca no Ray Borges... Deve ser crise de abstinência a algum tipo de vício. Acompanhe o raciocínio do fofo: pra Prefeitura de São Luís ter mais dinheiro no bolso, ele sugere a suspensão do uso da camisinha na cidade por um período de três meses. Pode? Alguém precisa informar ao pensador da Pacotilha que camisinha não serve apenas pra evitar filho. Sabe o que é uma DST, fofo? E por que os bairros do Itaqui-Bacanga, Vila Cascavel, Janaína e Cidade Operária? Será que ali se fornica tanto assim, como faz crer o Borges? Outra perguntinha básica no questionário do DataPaula: desde quando o gato do Tadeu abastece os varões da cidade com Jontex?  
Francamente, Borges, não há motivo para tanto. Deixa o sexo na periferia fluir naturalmente. Mas com camisinha, sempre!

DIÁLOGOS IMPERTINENTES - Parte 5

Mulheres à beira de um ataque de nervos


O telefone celular TIM da mulher-gato Tati toca. Do outro lado da linha há uma voz rouca de quem acabou de acordar. É Xandra, a indomável do Gama. As duas engatam conversa amena, mas depois o diálogo ganha tom áspero com alfinetadas recíprocas. Inadvertidamente, Xandra toca no assunto da aposentadoria milionária da mãe de Tati. A mulher-gato defende-se com mil pedras na mão. Acompanhe a reprodução do diálogo, que chegou às mãos da Paula Tina via Sedex. 

Tati: Alô...

Xandra: Alô... Como vai, amiga?

Tati: Quem fala, por favor?

Xandra: É a Xandra! Ainda lembra de mim?

Tati: Claro. Tudo bom, amiga? Quanto tempo...

Xandra: Pois é, são os negócios que me tomam muito tempo...

Tati: Poxa, pequena, o Maranhão não é mais o mesmo sem a tua presença. Voltaste a morar em São Luís?

Xandra: Não, ainda não. Estou ligando aqui do Gama.

Tati: E as novidades? 

Xandra: Não fossem certas pendências de estado, e o efeito arrasador do prosseco de ontem à noite, eu mesma reinventaria o mundo esta manhã...

Tati: Mas estamos quase no final da tarde, querida! Não seria o caso de tomar um engov, voltar a deitar e deixar a reinvenção do mundo para amanhã?...

Xandra: Nunca, amiga! Engov novamente, jamé! De mais a mais, não há noite que não encontre o dia. E o que é uma simples ressaca comparada à grandeza e ao esplendor de uma ex-chefa de estado como eu?

Tati: É verdade! Só quem já esteve no poder conhece a dor e a delícia do controle orçamentário e sentimental da situação...

Xandra: Arrasou, Tati! Aliás, a amiga tem arrasado sempre.

Tati: Eu? Como?

Xandra: Fala sério, Tati! Nem eu, que diziam ter tantos poderes no governo, consegui uma aposentadoria tão alta pra gente da minha família...

Tati: Fala baixo, Xandra, olha o que essa gente não vai pensar de mim... O gato do meu marido já desmentiu tudo na imprensa aliada.

Xandra: Que ninguém nos ouça, amiga, mas acabaste matando dois coelhos com uma caixa d’água só.

Tati: Como assim... dois coelhos?

Xandra: O contracheque da tua mãe e o golpe certeiro no Marafolia...

Tati: Nem me fale em Marafolia. Nunca gostei do assanhamento da Ivete pra cima do meu Tadeu. Por isso, mandei mesmo suspender aquele carnaval na Litorânea... Quero mais é que a Ivete e essa tal de Claudinha Leite cantem em outra freguesia.

Xandra: Nossa...!!! Como evoluíste...

Tati: Ah, devo tudo à minha mãe...

Xandra: E eu não sabia que a tua mãe tinha nome tão esquisito. Yerecê Porancy! É tupi? E a quem puxaste tão lourinha?

Tati: Puxei a quem tu também puxaste, amiga: à indústria de cosméticos...

Xandra: Não precisa ser tão ferina assim comigo, Tati!

Tati: Ah, Xandra, pra cima de moá? E aquele teu bombeiro, onde arrumaste? Foi aí mesmo no fogaréu do Planalto? E ele já conseguiu baixar teu fogo? Vi as fotos no Orkut. Ele é um tipão de homem...

Xandra: Como diria o Alex Falhando, o meu bombeiro causa, não é, amiga?

Tati: E como causa...

Xandra: Li pelos jornais que a amiga resolveu desmatar a cidade inteira. É verdade?

Tati: Não é nada disso, pequena. Resolvi repaginar uma parte da cidade. Apenas aparei aquelas árvores velhas. E tu bem sabes: São Luís precisa de renovação na política e nas praças...

Xandra: E pelo visto sonhas também com a repaginação do teu futuro, com essa candidatura a suplente de senador, não é mesmo?

Tati: Imagina, Xandra... É tudo esforço e dedicação ao governo do meu marido. É uma Prefeitura que exige muito na decoração de interiores. E por falar nisso, teu domicílio eleitoral continua em São Luís?

Xandra: Pois é, perdi apenas o domicílio nupcial...

Tati: Então, vais de Castelo?

Xandra: Só se for o castelo de Caras, amiga... Atualmente não faço planos de vôo que não leve algum em troca... Agora vou ter que desligar, pois o meu bombeiro acabou de acordar. Nos falamos outro dia. Tchauzinho!

Tati: Mas tu não me responde... Tchau...

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