Por Gilberto Léda
Editoria de Política
Dois pesos
Ação contra Cafeteira é perseguição
Na tarde do último sábado (9), causou embaraço no meio político local a notícia de que, cumprindo mandado de busca e apreensão expedido pelo ministro Ari Pargendler, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Polícia Federal confiscou todo o material de campanha impresso de Cafeteira (PTB), candidato a senador, no qual apareça, também, propaganda da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O material - em sua maioria cartazes - foi todo apreendido no comitê do Partido dos Trabalhadores em São Luís.
A representação que ensejou o mandado foi protocolada pelo advogado Rodrigo Lago, assessor jurídico e filho do candidato Aderson Lago (PSDB). Segundo ele, a apreensão era necessária devido ao fato de que a propaganda casada dos dois candidatos estaria descumprindo as regras da verticalização. Cafeteira nega.
"O meu partido, o PTB, não tem candidato à Presidência da República, nem está coligado nacionalmente a partido que tenha candidato. Posso fazer campanha para quem quiser", declarou.
Cafeteira faz parte da coligação "Maranhão - A Força do Povo" (PFL, PMDB, PTB, PV, PP, PL, PSC, PHS, PRP, PAN e PRTB). De acordo com o entendimento do advogado, como o PFL, partido da candidata ao governo pela coligação, senadora Roseana, tem candidato a presidente - Geraldo Alckmin (PSDB), devido à aliança tucano-pefelista -, Cafeteira não poderia apoiar formalmente o presidente Lula.
Dois pesos...
O advogado, entretanto, ainda não ingressou - como deveria - com nenhuma representação contra o candidato a senador do partido do seu pai, João Castelo (PSDB), ou mesmo contra o seu primo em segundo grau, Jackson Lago (PDT), candidato a governador pela coligação "Frente de Libertação do Maranhão".
Os dois têm feito campanha juntos pelo interior do estado corriqueiramente. Ontem (11), inclusive, o jornal dos Bogéa estampava em primeira página uma foto em que apareciam os dois candidatos num caminhão plotado com as fotos, nomes e números dos dois candidatos.
Baseando-se pelo entendimento do advogado, a atitude de Jackson e Castelo também fere a verticalização e de forma ainda mais latente. Castelo pertence a partido que tem candidato a governador, portanto, não pode fazer campanha para o pedetista. Situação contrária a de Cafeteira, que pertence a partido sem candidato a presidente estando livre, portanto, para apoiar qualquer candidato.