A Polícia Federal encaminhou ontem à 10ª Vara Federal em Brasília o inquérito que investiga a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, pivô da queda do ex-ministro Antonio Palocci do Ministério da Fazenda.
O delegado Rodrigo Carneiro Gomes manteve no inquérito, de mais de duas mil páginas, o indiciamento do ex-ministro Palocci por quatro crimes: prevaricação, denunciação caluniosa e quebras de sigilo funcional e bancário.
Já o ex-presidente da Caixa, Jorge Mattoso, foi indiciado por quebras de sigilo bancário e funcional. O ex-assessor do Ministério da Fazenda, Marcelo Netto - acusado de tornar público o extrato com os dados bancários do caseiro - teve o indiciamento pedido por quebra de sigilo bancário.
Francenildo teve seu sigilo violado após ter dito à CPI dos Bingos que o ex-ministro Palocci freqüentava a casa alugada por lobistas em Brasília. Na semana passada, a Justiça Federal autorizou a quebra do sigilo telefônico da linha usada pelo ex-ministro quando morava na residência oficial do ministério.
Segundo informações da PF, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, foi ouvido em seu gabinete sobre o inquérito de Francenildo Costa. Embora o teor do depoimento esteja mantido em sigilo, o ministro só teria se dado conta da gravidade das acusações depois de ser informado sobre a divulgação do sigilo bancário do caseiro.