Não é exagero! O mercadinho de Carlos Alberto Rodrigues, na Rua Manoel Coelho de Alencar, no Planalto Pingão já foi assaltado sete vezes. Nem a rara presença de policiais fazendo ronda intimida os bandidos. Eles simplesmente esperam a passagem dos militares e praticam assaltos a mão armada.
O refrigerador do mercadinho guarda a marca de um dos assaltos. Depois que o elemento rendeu os funcionários, recolheu todo o dinheiro do caixa, saiu reclamando que a quantia era pouca e atirou com maldade no eletrodoméstico. O disparo não danificou o aparelho, mas estourou muitas garrafas de refrigerante.
De tanto ser vítima, Carlos Rodrigues fecha o comércio ao meio-dia e às cinco horas da tarde. Ele teme que depois de tanta violência perca seus clientes por medo de presenciarem uma situação constrangedora dessas. "Os bandidos chegam e ficam sentados. A gente não os reconhece pela cara e depois que a ronda passa eles atacam e fica por isso mesmo", contou.
Rubervan Alves, funcionário de Carlos, conta que apanhou numa dessas vezes. Na hora que o assaltante declarou que era um assalto ele correu para chamar seu chefe. Nessa hora o marginal apontou uma arma para sua cabeça e lhe deu um tapa. "Eu nem reagi, nem pensei em chamar a policia. Imagine se ele tivesse me matado?", se questiona.
A dona-de-casa Núbia Boas acha que sempre foi protegida por Deus e por isso nunca foi assaltada, mas já presenciou muitos crimes. Ela especifica a Rua 3 como a mais perigosa. No dia que ela se abrigava da chuva com seu filho num comércio nessa rua, os assaltantes renderam as pessoas e fecharam o estabelecimento para não serem importunados. "Fiquei nervosa e até ia ligar para a polícia, mas fiquei com medo porque estava com meu filho e não queria que nada de mal nos acontecesse", finalizou.