O presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, Caldas Góis, jogou ontem uma pá de cal nas pretensões do governador José Reinaldo Tavares de fazer o ex-procurador-geral de Justiça e seu eterno protetor, Raimundo Nonato de Carvalho Filho, o novo desembargador do Tribunal de Justiça do Estado.
Em matéria distribuída à imprensa ontem, Caldas Góis disse que a vaga aberta com a criação de mais um cargo de desembargador proposta pelo TJ - além delas a Assembléia Legislativa criou mais três vagas - terá que ser preenchida por um membro da ordem, já que a vaga é do quinto constitucional, que dever ser ocupada por um candidato indicado ou pela OAB ou pelo Ministério Público. Como, segundo Caldas Góis, a última vaga reservada ao quinto constitucional foi preenchida por um representante do Ministério Público, a vaga agora deverá ser da OAB.
Desde sua saída do comando do Ministério Público, todas as indicações davam conta que a vaga seria reservada para Carvalho Silva, em retribuição aos "relevantes serviços de preservação do seu superior hierárquico".
Pesam sobre o ex-chefe da PGJ acusações de ter utilizado todo seu prestígio para livrar o governador do envolvimento no escândalo das estradas fantasmas, quando uma quadrilha instalada na Secretaria de Infra-Estrutura montou um esquema de roubalheira do erário que desviou dezenas de milhões de reais. Na ocasião, o procurador-geral de Justiça preferiu livrar a cara de José Reinaldo e sua mulher, Alexandra Tavares, apesar das fortes evidências e da bem-fundamentada ação impetrada pelo advogado Marcos Coutinho Lobo, que demonstrou de forma cabal que o governador tinha ligações com a quadrilha já que era ele e sua mulher, Alexandra Tavares, quem autorizava o pagamento de obras inexistentes atestadas pelo seu cunhado e homem forte do governo, João Dominici, então secretário de infra-estrutura.
O Maranhão e o Brasil inteiro sabiam que Dominici e seus cúmplices não tinham poder para idealizar e implantar o esquema das estradas fantasmas, denunciado pelo ex-gerente metropolitano Ricardo Murad em entrevista à revista Veja. Somente com a autorização de José Reinaldo e Alexandra, o crime poderia ter continuidade. Só Raimundo Nonato de Carvalho não viu assim.
Por sua postura de lealdade àquele que o catapultou do último lugar da fila dos membros da lista tríplice para o cargo de procurador-geral de Justiça indicava que o governador iria premiá-lo com a indicação para a vaga de desembargador no Tribunal de Justiça do Estado.
O anúncio feito ontem por Caldas Góis, dando conta que a vaga pertence ao braço local da Ordem dos Advogados do Brasil, põe fim às pretensões de José Reinaldo de indicar um membro do Colégio de Desembargadores. Como as três outras vagas ainda estão sub judice, é muito pouco provável que o governador consiga terminar seu mandato indicando alguém para compor o colegiado do TJ.
Apesar disso, o governador ainda lança pontes para o judiciário e mantém como assessor da Casa Civil um irmão de um desembargador. A última investida de José Reinaldo sobre o Poder Judiciário maranhense foi feita na quinta-feira, quando o chefe da Casa Civil foi ao Palácio Clóvis Bevilacqua "visitar" o presidente do TJ, desembargador Galba Maranhão, que o recebeu com cordialidade, mas, até onde se tem notícia, não corroborou para manter acesas as manobras reinaldistas de tentar influenciar nas decisões daquela corte.