PROTESTO
Os manifestantes cobram promessa de Tadeu
Moradores de quatro bairros da capital interditaram, no começo da manhã de ontem, a BR 135, km 5, próximo à entrada da Vila Sarney. A motivação para tal descaso do prefeito Tadeu Palácio foi que ele não iniciou as obras de pavimentação das ruas dos bairros, apesar de ter se comprometido e dado prazo de 20 dias, com no máximo 30, para começar. Ontem foi o último dia de espera.
Os moradores envolvidos na ação residem na Vila Sarney, Vila Industrial, Vila Esperança e Vila Primavera. Inicialmente, eles fecharam apenas a BR no sentido de São Luís, por volta das 6 horas da manhã. Entretanto, alguns motoristas desrespeitaram os manifestantes e tentaram furar o bloqueio pelo outro lado da via.
Um ônibus da empresa Cisne Branco foi o primeiro a tentar a fazer isso. Atravessou o canteiro intencionado a continuar o percurso na contramão. Para evitar que todos os veículos também repetissem a ação, os manifestantes jogaram pedra no ônibus e interditaram o outro trecho da BR.
José Vieira Lima, líder comunitário da Vila Sarney, explicou que a intenção dos moradores era desviar o trânsito pela Avenida Tancredo Neves, ou seja, por dentro do bairro para que toda a população ficasse ciente da situação do local.
Segundo José Vieira, na última reunião do Orçamento Participativo, o bairro foi o que levou maior número de delegados, 40, porém não adiantou nada. Nenhuma das ruas desses quatro bairros é asfaltada, nem a principal por onde passam os ônibus e outros veículos de atendimento básico como ambulâncias e táxis. "Esse negócio de Orçamento Participativo não serve para nada. Existem locais bem mais novos e que tem asfalto e meio-fio até nos becos e aqui esperamos há 10 anos", queixou-se.
Ação da Polícia
Ao entrevistarmos José Vieira, ele foi enfático quando disse que ninguém esperava que o protesto tomasse tais proporções. Eles queriam apenas desviar o trajeto dos veículos no sentido de saída da ilha por dentro dos bairros. Entretanto, como um motorista não entendeu o recado e contrariou os manifestantes, seu veículo foi apedrejado.
Para evitar que mais carros sofressem danos, a polícia foi chamada para a área. Estavam presentes as Polícias Militar e a Rodoviária, que tentavam organizar o trânsito.
A primeira tropa da PM a chegar, segundo denúncias dos protestantes, agiu de forma dura e ignorante. Para intimidar os moradores, os policiais apontaram armas, empurraram e bateram em quem resistisse. José Feitosa Soeiro, porteiro, foi chutado por um policial. Ele disse que o militar foi rude e o empurrou, ele reagiu da mesma forma e recebeu um chute na perna. "Eles não têm nada a ver com a história, então não poderiam ter chegado desse jeito", criticou.
Magno Pinheiro Gomes, presidente da União de Moradores da Vila Industrial, explicou apenas que os policiais não souberam se portar com quem exige seus direitos. De acordo com o contrato assinado na SEMSUR pelo secretário Carlos Rogério, as obras seriam iniciadas no prazo de 20 a 30 dias e isso não aconteceu. "Chegaram batendo e agredindo as pessoas. Tivemos nossos direitos desrespeitados", frisou.