A Petrobras Bolivia Refinación (PBR), subsidiária da estatal brasileira no país vizinho, exportava petróleo subsidiado do país de modo irregular - a preços de mercado internacional -, disse o vice-ministro de Comércio e Industrialização da Bolívia, Williams Donaire.
Segundo ele, as "receitas extraordinárias" obtidas pela empresa no país se originaram da venda de petróleo da Bolívia, comprado da estatal boliviana YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos) por US$ 27 o barril, e vendido pelos preços do mercado internacional - que hoje estão no patamar de US$ 63 -, segundo reportagem de ontem no site do jornal boliviano "La Prensa".
A Petrobras tirou vantagem da diferença, disse. "Vendem 300 mil barris a preço internacional e obtêm vantagem."
Com o lucro obtido dessa forma, a Petrobras já teria recuperado o investimento de US$ 100 milhões pagos pelas refinarias de Gualberto Villarroel e Guillermo Elder, em 1999, segundo Donaire. Ambas respondem por cerca de 90% da gasolina e de outros derivados, como óleo diesel, nafta e querosene, e do GLP (gás liquefeito de petróleo) consumido no mercado interno boliviano.
A nacionalização das reservas de hidrocarbonetos da Bolívia foi decretada pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, no dia 1º de maio deste ano. As petrolíferas estrangeiras em atuação no país tem 180 dias (a partir da assinatura do decreto, em maio) para regularizarem se adaptarem às novas condições de exploração e comercialização.
A YPFB passou também a controlar no mínimo 50% mais um das empresas estrangeiras no país e, durante o período de transição, 82% do valor da produção vai para o governo e 18% para as companhias.